Paula

Minha grande amiga Paula, a Pequena (com “P” maiúsculo)!

Seu PPP é lindo!

Não, amigos educadores, não se trata de um Projeto Político-Pedagógico.

Trata-se do livro “Pelas Palavras Pequenas”, escrito por Paula Caldas. (à venda aqui em Goiânia na Nobel, baratim)

Textos de uma amiga, escritos de sua juventude! (putz, Paula, é difícil dizer isso, minha irmã, mas acho que já devemos nos referir a ela no passado, haha!… somo o quê, agora, adultos? adultos jovens, vai!)

Escritos marcados pela ora sagaz, ora doce (ambas, em muitos casos) sensibilidade de uma garota profundamente observadora da vida.

É impressionante (assustador, quase!) como uma menina de 17, 18, 19 anos consegue decifrar – como uma psicóloga veterana – as sutilezas da alma. E sem perder a ingenuidade (acho que a doçura) da utopia, marca da juventude…

Mais belo ainda, é (re)ler tudo isso, e perceber, dez anos depois, como os seus escritos eram (muito mais) profundos (do que eu imaginava)! De onde, meu Deus? De onde saía tudo isso???

Li o livro todo, em algumas madrugadas (das minhas férias), tocado!

Este pequeno texto neste (velho) blog (sua casa, sempre) é uma homenagem a ti! A sua coragem, principalmente, em publicar seus textos. Adorei, adorei!

No texto “Para Fernanda” (incrível, aliás!), você diz ao final “quero fazer mais coisas de que gosto , a começar por escrever”.

Espero que a fala da Paula (do passado) seja ouvida pela Paula (do presente)!

E na orelha do livro está escrito “livro de estreia da autora”, então, podemos esperar mais, certo!?

Beijão!

(tentei escrever (mais) entre parênteses pra te homenagear também, esse estilo inconfundível ;))

 

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São vaga-lumes

-Timão, já imaginou o que serão aqueles pontos brilhantes lá em cima?
– Pumba, eu não imagino, eu sei!
– O que são?
– São vaga-lumes… Vaga-lumes grudados naquela coisa grande azul-escura.
– Eu sempre pensei que fossem bolas de gás estourando a milhões de quilômetros daqui.
– Pumba, para você, só existe gás…
– Simba, o que que você acha?
– Já me disseram uma vez que os Grandes Reis do passado estão lá, olhando por nós.
Que cena mais linda… E só hoje fui perceber, que o Pumba está com a razão, enunciando o conceito científico de estrela! Ao mesmo tempo, Simba fala também de uma verdade poético-espiritual… Enquanto Timão, mesmo sendo o “mais incorreto” dos três, é quem se sobrepõe! Apesar de sua visão não deixar de ser também poética, quase como uma interpretação infantil para o fenômeno que, talvez, estivesse além de suas capacidades…
Saudades da minha infância, de assistir VHS em frente à televisão de tubo, sentado na cama dos meus pais!
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Formação continuada

Você me pergunta sobre formação continuada.

O que posso dizer, professor iniciante que sou, é alguma coisa sobre mim, só.

Acho que começaria dizendo que sempre estou insatisfeito com o meu trabalho enquanto educador!

Produzo relatórios diários e avalio constantemente a minha atividade pedagógica, buscando refletir sobre a conduta minha e das crianças/adolescentes, perceber onde errei, onde posso melhorar, conversando com colegas, buscando autores, estudando livros, publicações, que iluminem minhas “dificuldades de ensinagem”, que sustentem ou condenem minhas práticas. Pouco a pouco, minha prática vai ganhando fundamentação teórica e prática: aquilo que dá certo, eu incorporo, ou que dá errado, eu descarto (ou modifico). Sinto que, neste processo, cresço constantemente, embora as dificuldades, muitas vezes, me desanimem um pouco… Muitas vezes “mais que um pouco”…

Não digo as dificuldades de ordem burocrática/administrativa/política, que também existem e que são tristes, mas as dificuldades na intervenção pedagógica mesma, ou seja, no ato puramente pedagógico, na nossa especificidade profissional mesmo. Naquilo que acontece entre as quatro paredes da sala, o ambiente mágico a que, por alguma razão, gosto tanto de estar.

Neste caso, a insatisfação em relação ao meu trabalho é, realmente, muitas vezes, grande! Porque a “culpa”, neste caso, não é da coordenação, dos pais, do Estado e muito menos das crianças ou adolescentes: é minha mesmo!

Apesar de tudo – e acho que essa é uma virtude dos educadores – meu coração não se cansa de encher de esperança. De que no dia seguinte será melhor, de que lembrarei de fazer isso ou aquilo, de que testarei determinada forma de abordagem diferente, etc., etc.!

O básico, fundante, eu sei que tenho: um desejo de respeitar e amar a meninada, de doar-me inteiramente, de ser responsável e fazer o melhor em prol da educação deles! Que eles sejam felizes, melhores pessoas, que amem mais a vida.

Acho que nunca entrei em sala desanimado ou abatido!, embora muitas vezes saia dela insatisfeito.

Uma coisa sinto falta: de outros que compartilhem dificuldades, que não tenham respostas prontas, que me ajudem (e que eu possa ajudar)!

Diz-se da solidão dos professores: sozinhos, sentados em suas escrivaninhas, de frente para quarenta carteiras vazias. Que figura frágil, um professor com não-sei-quantos cadernos no braço, andando, encurvado, pelo corredor da escola!… Mas não precisa ser assim…

Você quer saber sobre formação continuada, e eu te respondo. Acredito que ela só pode se dar assim: professores que, compartilhando uma mesma realidade problemática, busquem saídas, através da reflexão conjunta, buscando as teorias, as publicações científicas, livros. Lendo relatos de experiência. Refletindo o que será melhor para a sua própria realidade, para a sua própria escola, e aplicando as mudanças, passo a passo.

Nada de palestra de final de semana sobre Piaget dentro de uma secretaria de educação abarrotada de educadores cansados e que mal se conhecem.

Formação continuada é teoria também, mas mais que isso: rima com dificuldades compartilhadas… E rima também com sonhos comuns. Dar-se conta da nossa incompletude, dar-se conta dos nossos erros (ainda que na melhor das intenções), e ir mudando, sempre, sempre!

Acho que a resposta é por aí.

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Manaus

Manaus em algumas palavras: o gigante rio Amazonas, maior do mundo, que possui mais água que os outros sete maiores rios do mundo somados; a ponte do Rio Negro, sobre a qual este se faz tão grande e quieto como o próprio oceano (vale a pena passar pela ponte e sentir a mansidão); o teatro Amazonas, onde ouvi um concerto de violões e jovens que tocam ukulelês e, simulando cantos de pássaros e ritmo tribal, me fez lembrar que por fora das paredes daquele lindo salão a cidade de Manaus está incrustada na gigante floresta Amazônia, a maior do planeta; o sotaque característico manauara, para mim, uma mistura de carioquês e nordestino, muito interessante de se escutar; a praia da Ponta Negra, uma espécie de “Copacabana” de Manaus, com um calçadão adaptado para deficientes e cheio de quiosques, às marges do rio Negro, com areia e tudo, só que a água é doce e quentinha (ali, a beira do lago, tem um teatro a céu aberto em semi-circulo como os antigos teatros gregos, muito legal); excelente gastronomia, com açaís, tacacás, cupuaçus, pão com tucumã, e o peixe mais gostoso que já comi na minha vida, o tambaqui na brasa (lembra tucunaré, só que ainda mais gostoso); a miscigenação branco-índio que é bonita de se ver (vi um rapaz branco com traços indígenas que me assombrou); o calor insuportável que, em razão da umidade, te deixa suado minutos depois que tomamos banho (neste ponto, prefiro minha Goiânia seca); as notícias na televisão de corrupção e violência que me fazem lembrar que a população daqui sofre com os mesmos problemas que qualquer brasileiro…

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Digestão

Um de nossos pequenos alunos levantou o braço e disse “Eu sei, eu sei!”, quando a professora perguntou se sabiam o que era a digestão.

Eis sua resposta:

– Digestão é aquele tempo que a gente tem que esperar depois do almoço para poder ir brincar.

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Zoológico

Alguns pássaros são tão belos que chegam a encher nossos olhos de água. Nunca fui uma pessoa ligada à proteção de animais e mal tenho um cachorro aqui em casa, mas, ao fazer uma visita à passeio no zoológico aqui da cidade, me deparei com aves tão lindas que confesso que me emocionei (especialmente, com um tucano).

Não só a beleza em si… Mas a vida simples, o olhar sereno daquela ave. Será que tem consciência de sua beleza? Isso é comovente.

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Tampa do vaso

Trechinho do livro “O desejo de ensinar e a arte de aprender”, de Rubem Alves. Muito engraçado!

“As crianças haviam aprendido que há palavras grosseiras, chulas, que não devem ser usadas. No seu lugar usam-se outras palavras sinônimas. É o caso do verbo “cagar”, que não deve ser usado em situação alguma. Mas pode-se usar o sinônimo “defecar” que, sem ser elegante, pelo menos não ofende. Pois uma menina escreveu: “Acho mal que os meninos vão a defecar na privada e deixem a tampa toda cagada”.

Menina genial! Ela sabia que o dicionário estava errado. Cagar e defecar não são palavras sinônimas, muito embora o dicionário assim o declare. Se ela tivesse escrito “acho mal que os meninos vão a defecar na privada e deixem a tampa toda defecada”, sua indignação teria perdido toda a força literária.”

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