Aula de Evangelização – TEMA: Anjo da Guarda

Esta foi uma aulinha que preparamos há dois meses atrás e que deu certo. Os meninos se mostraram dispostos a discutir sobre as questões propostas e, depois, participaram com curiosidade da dinâmica. Gostaram muito (também, acho que não deve haver alguém que não goste desta dinâmica! – veja abaixo). Acho que compreenderam a idéia de que todos nós somos ajudados, constantemente, por nossos guias espirituais.

Intimamente, acredito que a Espiritualidade que conduz aqueles garotos e garotas estava ali, fazendo-se notar e acho que, talvez sem saber, eles estavam sentindo-a. Talvez por isso estavam tão quietos, participativos e atentos neste dia.

 

Aula de Evangelização – TEMA: Anjos da Guarda

1) Leitura do poema “O açúcar”, de Ferreira Gullar

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.

2) Discussão

a. Podemos viver sozinhos?

Incentivar a idéia da cooperação, da interdependência entre os seres-humanos, que traz a idéia de que todos os seres humanos são igualmente importantes (um não é menor que o outro) e que um não vive sem o outro.

Dentro de casa, cada integrante cumpre a sua função, e fortalecem uns aos outros através da companhia e amor, para enfrentar o mundo.

Na sociedade, cada qual cumpre o seu papel, desde o gari até o alto empresário (o primeiro limpando as nossas ruas, o segundo fornecendo emprego para muitos e movimentando a economia).

b. As pessoas nos ajudam? Sempre as percebemos nos ajudando?

Fazê-los refletir para o fato de que, além de as pessoas nos ajudarem muito, muitas vezes nós não percebemos a ajuda que elas dão. Por exemplo, o chão da escola amanhece limpo sem que reflitamos para o fato de que o faxineiro ficou ali, ontem, por horas, limpando o colégio. Às vezes, as pessoas que nos amam fazem orações para nós sem que nós cheguemos a saber disso.

c. O que, na sua opinião, são Anjos da Guarda? Você acha que eles nos ajudam?

Perceber qual a idéia genérica que eles têm de Anjo da Guarda. Explicar que há passagens na Bíblia que falam sobre anjos. Falar que desde Sócrates até presidentes americanos acreditavam que recebiam conselhos e avisos deste amigo invisível. Ler algumas questões de “O Livro dos Espíritos” sobre o tema.

3) Dinâmica: Momento de confiar!

Peça para que todos os jovens levantem-se e se unam todos num círculo, que deve ser o menor possível (para turmas com mais de 10 jovens, é melhor que se faça mais de um círculo). Pedir que um deles entre dentro da roda e feche os olhos. Em seguida, peça para que os outros girem ao redor dele durante alguns segundos, para que o jovem do centro não saiba em que posição eles estarão. Depois de alguns segundos girando, peça para que parem e que estendam os braços. Então, diga ao do centro que poderá soltar o corpo e cair para qualquer lado, sem medo, que o grupo o ajudará, empurrando-o levemente à frente para que não caia.

Em geral, o que estiver no centro não vai confiar assim, tão rápido, nos outros, hesitando em soltar o corpo e abrindo os olhos de vez em quando. Peça para que confie e solte o corpo. Caso ele o faça, a sensação será maravilhosa: depois de alguns segundos, sentirá como se estivesse nas nuvens, caindo para lá e para cá, sempre sendo ajudado por desveladas mãos anônimas (perceba, evangelizador, quão semelhante é essa sensação com a relação de nossos mentores espirituais para conosco!). Depois de um minuto ou mais, peça para que ele abra os olhos e integre a roda, para que outro possa partilhar da mesma experiência.

Coloque uma música suave de fundo e peça para que, durante a execução da dinâmica, todos falem o menos possível. Sugira aos que compõe a roda para serem o mais suave possível (embora, em geral, eles intuitivamente o farão), não empurrando com força. Os mais fortes podem até segurar o peso do participante um pouquinho, descer devagar e depois empurrá-lo, com suavidade, para outros integrantes da roda. A sensação é maravilhosa!

Verdadeiro trabalho cristão

“Raramente a noção do verdadeiro trabalho cristão aparece em nossa alma. Somos ainda dominados por feudos psicológicos. Sentimo-nos donos dos espaços que temos sob a nossa responsabilidade. Alegando a nós mesmos que compete-nos zelar pelo bem das atividades, mantemos cativos das velhas sombras sentimentais que não permitem abertura para os valores alheios. Uma nítida sensação de importância domina os refolhos da vida mental, a partir dos cargos e deveres colocados em nossas mãos.

Um quadro que ocorre nas fileiras do cristianismo nascente repete-se agora. Temos novos doutores da lei que acham que sabem tudo sobre Espiritismo, e podem ditar normas e rubricar a Verdade.”

Do livro “Quem sabe pode muito, quem ama pode mais”

Aulas de Evangelização – TEMA: Relacionamento mãe e filho

Esta foi uma das melhores aulas que eu e meu irmão já demos para a nossa turma de jovens da Mocidade, com idades de 13 a 17 anos. A utilização do rap foi fundamental, e as discussões que se seguiram foram bastante interessantes. Vocês vão perceber que, nesta aula, não utilizamos nenhum trecho do Evangelho, mas a mensagem proposta é bela do mesmo jeito.

Aulas de Evangelização – TEMA: Relacionamento mãe e filho

1) Oração junto com os meninos, elevando os pensamentos tanto a Jesus quanto a Maria;

2) Ouvir a música “Eu não pedi pra nascer”, do Facção Central;

Minha mão pequena bate no vidro do carro
No braço se destacam as queimaduras de cigarro
A chuva forte ensopa a camisa o short
Qualquer dia a pneumonia me faz tossir até a morte
Uma moeda, um passe me livra do inferno,
Me faz chegar em casa e não apanhar de fio de ferro
O meu playground não tem balança, escorregador
Só mãe vadia perguntando quanto você ganhou
Jogando na cara que tento me abortar
Que tomou umas 5 injeções pra me tirar
Quando eu era nenê tento me vender uma pa de vez
Quase fui criado por um casal inglês
Olho roxo, escoriação, porra, que foi que eu fiz?
Pra em vez de tá brincando tá colecionando cicatriz
Porque não pensou antes de abrir as pernas,
Filho não nasce pra sofrer não pede pra vir pra Terra.

O seu papel devia ser cuidar de mim, cuidar de mim,
cuidar de mim
Não espancar, torturar, machucar, me bater, eu não
pedi pra nascer

Minha goma é suja, louça sem lavar,
Seringa usada, camisinha em todo lugar
Cabelo despenteado, bafo de aguardente `
É raro quando ela escova os dentes
Várias armas dos outros muquiadas no teto
Na pia mosquitos, baratas, disputam os restos
Cenário ideal pra chocar a UNICEF,
Habitat natural onde os assassinos crescem
Eu não queria Playstation nem bicicleta,
Só ouvir a palavra filho da boca dela
Ouvir o grito da janela A comida tá pronta,
Não ser espancado pra ficar no farol a noite toda
Qualquer um ora pra Deus pra pedir que ele ajude
A ter dinheiro,felicidade, saúde
Eu oro pra pedir coragem e ódio em dobro
Pra amarrar minha mãe na cama por querosene e meter
fogo

Outro dia a infância dominou meu coração,
Gastei o dinheiro que eu ganhei com um album do Timão
Queria ser criança normal que ninguém pune,
Que pula amarelinha, joga bolinha de gude
Cansei de só olhar o parquinho ali perto,
Senti inveja dos moleque fazendo castelo
Foda-se se eu vou morrer por isso,
Obrigado meu Deus por um dia de Sorriso
A noite as costas arderam no coro da cinta,
Tacou minha cabeça no chão
Batia, Batia, me fez engolir figurinha por figurinha
Espetou meu corpo inteiro com uma faca de cozinha
Olhei pro teto e vi as armas num pacote,
Subi na mesa catei logo a Glock
Mãe, devia te matar mas não sou igual você,
Invés de me sujar com seu sangue eu prefiro morrer…

3) Momento de reflexão: Como é essa mãe? Boa ou ruim? O que ela faz de errado? Como deve agir uma boa mãe (refletir sobre o agir com carinho, com responsabilidade, com firmeza, com preocupação)? Você acha que a sua mãe é uma boa mãe? Você acha que ela erra, às vezes, com você? Explique. (refletir sobre os erros naturais de mãe – que é ser humano como qualquer outro – e os atos que achamos que são errados mas na verdade são para o nosso bem)

4) Ouvir a música “Desculpa mãe”;

Mãe, não dei valor pro teu sonho, sua luta
Diploma na minha mão, sorriso, formatura
Não fui seu orgulho, diretor de empresa
Virei o ladrão com a faca que mata com frieza
Não mereci sua lágrima no rosto
Quando chorava vendo a panela sem almoço
Vendo a lage cheia de goteira
Ou a fruta podre que era obrigada a catar na feira
Enquanto você ajuntava aposentadoria esmola pra não ter despesa
Eu tava no bar jogando bilhar
Bebendo conhaque
Bêbado eu era o ladrão de traca a escopeta
Com a mãe implorando comida na porta da igreja
Todo natal você sozinha eu na balada
Bancando vinho, farinha pras mina da quebrada
Desculpa mãe pela dor de me ver fumando pedra
Pela glock na gaveta pelo gambé pulando a janela

Refrão:
(desculpa mãe) por te impedir de sorrir
(desculpa mãe) por tantas noites em claro triste sem dormir
(desculpa mãe) pra te pedir perdão infelizmente é tarde
(desculpa mãe) só restou a lágrima e a dor da saudade

Quantas vezes no presídio me visitou
No domingo, bolacha, cigarro nunca faltou
Vinha de madrugada, sacola pesada
Pra ser revistada pelos porcos na entrada
Rebelião, você no portão, temendo minha morte
Sendo pisoteada pelos cavalos do choque
Eu prometi que dessa vez tomava jeito
Tô regenerado, ouvi seus conselhos
Uma semana depois, eu na cocaína
Cala a boca velha, sai da minha vida
Eu vou cheirar, roubar, seqüestrar
Não atravessa meu caminho, se não vou te matar
Sai pra enquadrar o mercado da esquina
Troquei com o segurança, tomei um na barriga
A Polícia me perseguindo, eu quase pra morrer
Só tua porta se abriu pra eu me esconder

Os gambé vigiando o pronto-socorro
Eu na cama delirando, quase morto
Ferimento ardendo, coçando, infeccionado
A solução foi o farmacêutico do bairro
Que só veio por você, com certeza
A heroína que pediu esmola no busão, com a receita
Deu comida na boca, comprou todos remédios
Sonhou com emprego mas o diabo me quis descarregando ferro
Ai eu dei soco, chute, bati com tanto ódio
“- Preciso fumar, vai, mãe, dá o relógio”
Velha, doente, desafiando a madrugada
De porta em porta: “- Alguém viu meu filho, tô preocupada”
Fim de semana foi farinha, curtição
Só cheguei hoje e de prêmio te trombei nesse caixão
Um vizinho ligou, que foi ataque cardíaco
Morreu na rua atrás da merda do seu filho

4) Momento de reflexão: Como é esse filho? Bom ou ruim? O que ele faz de errado? Reflexão: como deve agir um bom filho? Você acha que você é um bom filho? Você acha que erra, às vezes, com sua mãe?

5) Pedir que os jovens escrevam uma carta para a sua mãe. Não é necessário que leiam para o grupo aquilo que escreveram.

Aulas de Evangelização

Já estou a mais de um ano integrado a uma turminha de evangelizadores espíritas, e temos feito aulas muito boas (outras, nem tanto). Então, tive a idéia de publicar as aulas que deram certo, para que os amigos internautas que, como nós, acreditam que a mensagem de Jesus pode ser transmitida de maneiras suaves e interessantes para todas as idades, possam ter idéias interessantes para suas próprias aulas.

Eu particularmente sigo uma orientação mais ecumênica, até porque os alunos da minha turma vem, em sua maioria, de famílias evangélicas. De modo que trabalhamos muito os sentimentos, noções de responsabilidade, reflexões sobre as coisas da vida, o amor e suas variantes, a história de Jesus. Muitas vezes, utilizamos o Livro dos Espíritos e como apreciamos mais o Espiritismo, nossas aulas são permeadas de seus conceitos, embora me esforce para fazer uma aula que esteja adaptada para jovens de qualquer orientação religiosa.

Sobre a evangelização – minha história pessoal

Eu, na verdade, antes de me tornar espírita, não era muito ligado para essas coisas de religião. Conhecia a imagem de Jesus e sabia, mais ou menos, de sua história, mas nunca isso me comoveu. Depois de ler “O Livro dos Espíritos” e perceber quão belo e lógico são esses assuntos espirituais, engajei-me mais na descoberta desse moço que chamam de O Cristo.

Percebi quão sensata é a idéia de que Deus existe porque deve haver uma causa primeira. Da mesma forma, as criações vivas de Deus devem partir de um mesmo ponto de partida, porque não é lógico que Deus crie alguns melhores que outros. Não conseguia conceber um “Filho de Deus” diferente e particularmente mais bom e poderoso que os outros filhos de Deus, como seria Jesus. Daí, os princípios do livre arbítrio e da evolução progressiva das capacidades intelectuais e morais do Espírito, além da idéia da criação contínua por parte do criador, abriu-me a mente para a possibilidade real de um Espírito de alta envergadura ter estado aqui na Terra para ajudar-nos a nossa própria progressão.Porque, se é verdade que todos somos criados iguais, é igualmente verdade que uns utilizam melhor o livre-arbítrio e aproveitam mais a vida que outros. Acabam aprendendo mais. E podem ter sido criados antes, como é o caso de Jesus (já disse minha visão sobre Jesus no post Jesus Cristo). Alia-se a isso o fato das reencarnações sucessivas e teremos, no fim, uma boa base “teorico-espiritual” para acreditarmos em Jesus.

Mais significativa ainda torna-se a idéia do Cristo quando o Espiritismo nos afirma ser Jesus o “Governador Espiritual da Terra”. Porque, afinal, se nós temos modelos organizacionais políticos, a Espiritualidade tem de ter também – e bem mais evoluídos que os nossos. A certeza de que todos os acontecimentos humanos não passam despercebidos por Jesus, e que Ele tem condições de atuar em vários lugares ao mesmo tempo (teoria da ubiquidade dos Espíritos Elevados) para promover as “coincidências”, e que ele não atua sozinho (teoria da evolução – uns já conseguem trabalhar ativamente em nome do Cristo), e que o mais importante de tudo é o amor, como afirmava o próprio Cristo, isso tudo nos enxe de esperança e faz-nos crer que, de fato, não estamos sozinhos.  A mediunidade vem só comprovar isso, fechando com chave de ouro toda essa maravilhosa Doutrina dos Espíritos, que é capaz de abrir os olhos de gente que sempre teve dificuldade em acreditar, como eu.

De forma que, assim, temos uma noção mais exata do que é ensinar as lições do Cristo. É ensinar as lições de um cara “fudido”, que veio para revolucionar a humanidade com novos conceitos. Que veio, botou pra quebrar, e colocou o amor acima de tudo. E seus ensinamentos continuam atemporais, porque um Espírito elevado como este não reduz sua influência a uma geração apenas. Explicar Jesus, na minha opinião, é fazer as crianças e jovens entenderem que o amor está acima de tudo. Que Jesus se sacrificou na cruz não para nos salvar – porque a salvação não depende dele, depende de nós – mas para ensinar-nos o caminho. Sem o seu sacrifício não entenderíamos que, para buscarmos de fato o caminho da felicidade, temos de nos “sacrificar” em nome de nossos ideais mais sublimes.

As aulas de evangelização para jovens são aulas que devem fazê-los refletir sobre o que estão fazendo aqui na Terra, que nada é por acaso, que temos compromissos. Mostrar a atualidade dos ensinamentos de Jesus, que podem ser aplicados na vida deles. Aumentar a esperança, a fé desses rapazes e moças. Aumentar o senso de responsabilidade. Torná-los mais caridosos, benevolentes, pacientes. É a missão do Evangelho: tornar as pessoas mais doces… O mal do Mundo está também dentro de nós. Explicar que o bom combate sempre será de nós contra nós próprios. E que só vale a pena ser feliz se os outros também forem.

São lições que vão no fundo de nossa alma (por isso encontro muitas dificuldades em transmitir aos alunos aquilo que gostaria), mas que tem um poder tão grande de conforto, e de mudança para melhor. Vale a pena. Quero desejar muita paz e boa vontade a todos aqueles amigos leitores que também são evangelizadores, seja qual for a orientação religiosa, e até aqueles que são “envagelizadores sem o saberem” (pessoas que disseminam a paz e o amor sem falar, propriamente, de Jesus), para que todos nós, por mais imperfeito que sejamos, por mais que sintamos que não temos o grau devido para falarmos de coisas tão sérias, consigamos passar para as crianças e jovens tudo aquilo que mais acreditamos e prezamos, no fundo de nosso ser.

Nos próximos posts, colocarei as aulas que mais deram certo.

Mediunidade, na visão de Modesta

“- Marcondes, os médiuns mais conhecidos e respeitados da seara doutrinária passaram por semelhantes crises afetivas. A princípio, o exercício mediúnico constitui uma expiação, vindo a transformar-se, depois de longo esforço reeducativo, em recurso abençoado de progresso. A mediunidade, por sua vez, é uma ponte entre as sombras interiores e a luz que se derrama da alma. Os médiuns não só detêm maior sensibilidade para frequências da vida exterior, mas igualmente para seu mundo íntimo, mantendo ampla facilidade de conexão com o seu patrimônio inconsciente.

Os médiuns não são intérpretes apenas do mundo espiritual; sobretudo, encontram nas suas faculdades extra-sensoriais uma sonda meticulosa com a qual são capazes de investigar, com mais profundidade, o mundo vivo das manifestações subjetivas de seu próprio inconsciente.

No fundo, a ânsia espiritual dos médiuns é celebrar sua individualidade, conquistar a si próprio e responder a intrigante pergunta: quem sou eu? Almas cativas do próprio ego, raras vezes experimentam a bênção do contato com sua Essência Espiritual.

Os médiuns são Espíritos que deixaram de construir sua identidade psicológica. Criaturas que praticaram repetidamente a atitude de dominar e possuir os valores da vida alheia. Tanto exerceram o poder sobre o seu semelhante que abdicaram de adquirir o domínio pessoal. Desejaram tanto ser ou ter o que os outros tinham ou eram, que esqueceram de se conhecer, travar contato consigo próprio. São almas que voejaram para fora de si mesmos, extremamente inabilitados ao autodomínio. Fizeram conquistas exteriores e desprezaram as vitórias íntimas. Não cultivaram sua Essência Divina. Nessa jornada fulminante no reino das ilusões e das aparências, prejudicaram multidões. Entretanto, eles próprios foram as maiores vítimas. Trazem imprimidos na alma os resultados dos seus desatinos. São portadores de um sistema afetivo desestruturado e confuso à beira do desequilíbrio psicológico. Seu consciente é continuamente tomado por complexos inconscientes que determinam seus climas emocionais de baixa auto-estima e insatisfação crônica com a vida. Por não terem identidade psicológica segura, são facilmente manipuláveis e sem defesas de preservação de suas personalidades.”

“Os médiuns são Espíritos que não olham para si mesmos há milênios. A mediunidade é um espelho constantemente direcionado para a vida inconsciente, a fim de trazer ao consciente as imagens que costumam negligenciar. Os médiuns, portanto, são criaturas que tem as portas do inconsciente abertas continuamente, entrando e saindo desse mundo desconhecido com maior mobilidade.

– Seria a mediunidade uma espécie de medicação?

– Exatamente! Esse o conceito mais adequado para a faculdade mediúnica. Um tratamento para mentes adoecidas no tempo, que permite uma conexão mais livre com a sombria realidade das imperfeições a serem superadas, mas também com as luzes da essência espiritual.”

“A força e a coragem que usaram para dilapidar multidões são redirecionadas, nesse momento sublime, para a auto-superação, a reeducação de seus pendores e o contato com seus impulsos mais inferiores”.

“A experiência, todavia, tem nos mostrado, em linhas gerais, que aproximadamente duas décadas de serviço ativo e persistente no corpo físico tem possibilitado construir um alicerce de raro valor mental e moral, para a realizações de amplo porte espiritual, entre aqueles que comprometeram-se a fazer da mediunidade um projeto de vida.

– Quer dizer que podemos considerar um médium maduro após vinte anos de tarefa?

– Depende.

– De quê?

– De seu aproveitamento neste tempo.

– Como considerar o bom aproveitamento?

– Estará presente nos tarefeiros que se entregaram às lições indispensáveis ao exercício da mediunidade com Jesus. Resumamos assim essas lições: obediência, disciplina, estudo perseverante, renúncia, desejo de servir e aprender, cultivo da oração, cumprimento do dever, abnegação pessoal, direção construtiva para as forças genésicas, edificação da harmonia no lar, desenvolvimento das habilidades mentais para superar pressões psíquicas, educação das faculdades sensitivas para fins nobres e serviço de amor ao próximo.”

Dona Modesta

do livro “Quem sabe pode muito, quem ama pode mais”, psicografado por Wanderley S. de Oliveira

Mensagens de Eurípedes Barsanulfo

“No clima interior de ligação com as correntes superiores da vida, o servo alegra-se naturalmente com o êxito do próximo, percebe a utilidade das idéias alheias, cuida em respeitar os limites, pondera sempre que pode para alcançar o melhor, e distancia-se dos arroubos na paixão por cobranças que irritam e asfixiam.

” Disciplinar a compulsão pela importância pessoal. Olhar sem subterfúgios para nosso intenso desejo em brilhar perante os outros. São sentimentos inevitáveis! Nada mais natural depois de tanto tempo apegados a nós próprios! Negá-los, isso sim constitui um obstáculo ao crescimento.”

“Não gostamos de ser criticados. Repudiamos a possibilidade de que alguém seja mais querido que nós mesmos. Sentimos injustiçados quando alguém nos corrige naquilo de que precisamos. Chegamos a nos alegrar com os tropeços alheios para nos fazermos mais fortes perante outrem. Não conseguimos conter o impulso maledicente da língua para diminuir o brilho do outro. Raramente nossa alegria com o êxito de alguém representa consciência do bem pela Obra do Cristo. Fazemo-nos indiferentes ante as habilidades que florescem nos companheiros de tarefa. O melindre azorraga-nos quando uma decisão é tomada sem nossa participação. A inveja assalta-nos, impiedosamente, quando alguém produz algo mais criativo e valoroso que nós. Adotamos a teimosia quando não queremos seguir as recomendações que não concordamos. Disputamos cargos e títulos como se, à luz da Boa Nova, isso fosse privilégio e indício de espiritualização. A presunção entorpece-nos a ponto de acreditarmos ter todas as respostas para a vida alheia. Invadimos o mundo íntimo das pessoas como se tivéssemos um alvará de quebra dos limites, tão-somente, por acreditar-nos bons o suficiente para entender o que se passa por dentro do coração alheio. Elegemos modelos de condutas, estabelecendo rótulos com os quais expedimos juízos de suposta verdade sobre o comportamento de nossos amigos.”

Olhemos com mais carinho esses sentimentos sem cobrar-nos tributos morais. Essa é a mais cristalina verdade sobre nós mesmos, da qual não devemos nos envergonhar!”

“Assumamos sem receios nossa falibilidade escolhendo rever nossas convicções, especialmente as que temos em relação àqueles com os quais ainda não tenhamos harmonizado. Rever convicções é ter a coragem de analisar os fatos sob outra perspectiva. Isso nos levará aos novos aprendizados.” Eurípedes Barsanulfo