Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 1)

Há, aparentemente, uma contradição entre o livre-arbítrio das criaturas e a atuação de Deus em nossas vidas. Porque, se possuímos liberdade para fazer ou não fazer aquilo que quisermos, de certa forma a vontade de Deus ficaria anulada. Em outras palavras: todos os fenômenos que ocorrem em nossas vidas que, na nossa concepção, são bênçãos divinas, não teriam como causa a Vontade Divina, mas sim um produto de um monte de outras vontades humanas (escolhidas por eles próprios), que “sem querer”  teriam gerado tal fenômeno-bênção em nossas vidas.

Por exemplo, um homem ganha na mega-sena sozinho vinte milhões de reais. Para que tal fenômeno (que aos olhos dele é uma bênção de Deus) ocorresse, teve ele de jogar os seis números certos; teve as outras pessoas de jogarem os seis números errados (ou pelo menos 1 errado); teve as moças que pegam as bolinhas dos números na hora do sorteio terem parado o globo e tirado as bolas na hora certa. Basicamente, para que a bênção ocorresse, estas três causas básicas tiveram de ocorrer. Não há, nas três, aparentemente, uma Vontade Divina, mas sim a utilização do livre-arbítrio dessas criaturas.

Isto considerado de modo estrito. De modo amplo, inúmeras outras coisas tiveram de ocorrer para que, no fim, o homem tivesse ganhado na loteria, desde seus pais, que um dia tiveram de transar para que ele pudesse nascer e virar adulto e finalmente jogar na loteria. Não estou exagerando, isto é um fato: se ele não tivesse nascido, não poderia ter jogado. De modo amplo, é possível vislumbrarmos um monte de outras causas.

Vamos supor que um dos números que ele jogou foi a data de nascimento do seu filho, então, uma das causas de ter ele ganhado foi justamente o fato de sua esposa ter dado a luz neste dia específico. E para que o bebê nascesse naquele dia e não em outro, foi-se necessário que o bebê já estivesse de saco cheio da barriga da mãe naquele dia específico. E para que o bebê estivesse de saco cheio naquele dia, às vezes foi-se necessário que a mãe tivesse se alimentado bem e se cuidado bem durante sua gestação…

De modo amplo, para que a moça tenha pegado as bolas certas, pode ter sido necessário que o globo que gira as bolas tivesse girado 4 vezes e não 3, que o moço que tenha enfiado as bolas lá desde o início tenha começado enfiando a bola 30 (que no fim acabou sendo escolhida), que o globo tivesse sido confeccionado pela empresa X e não Y (que confecciona globos um pouquinho maiores – que por isso teria alterado a bola que saísse)…

Ou seja: de modo amplo, nunca conseguiríamos discriminar todas as causas que influenciaram o homem a jogar aqueles seis números, os outros a não jogarem aqueles seis números, e as moças a pegarem as bolas certas. Este aspecto caótico dos fenômenos é muito bem explicitado pela Teoria do Caos, que ficou bastante conhecida pelo filme “Efeito Borboleta”.

Mas… E se…

A moça pensava estar girando ao globo por livre vontade, quando na verdade havia uma causa influenciando-a a girar quatro e não três vezes a bola?

E se o homem ganhador achava apenas que estava escolhendo os números, quando na verdade uma causa desconhecida soprava-lhe alguns números na mente?

Ou seja: e se o livre-arbítrio nosso for, de certa forma, limitado por uma Vontade Inteligente desconhecida?

Será que há, por trás deste caos de acontecimentos, uma harmonia sublime conduzindo os fenômenos?

Continua no próximo post…

Anúncios

Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s