Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 2)

A coincidência acontece quando dois (ou mais) fatos ocorrem ao mesmo tempo, gerando um terceiro fato que, aos nossos olhos, é espetacular/interessante/maravilhoso. Por exemplo: você vai até Guarujá e decide visitar a gigantesca praia de Enseada; lá chegando, anda um pouco sobre a areia e decide sentar-se sob a sombra de determinado guarda-sol de certo restaurante; lá sentado, observa que uma senhora gordinha que está tomando sol logo a frente lhe parece familiar; segundos depois, vê um sorriso conhecido do filho desta mulher vindo até você: é seu grande amigo de muitos anos, lá de Goiânia.

Coincidência absurda? Aconteceu comigo, ano passado (este amigo também tem um blog: O menestrel mudo).

Praia

Depois de tal acontecimento mágico, fico a pensar: tenho eu livre-arbítrio para ir aonde quiser, assim como ele. Minha tia (que viajava conosco e escolheu a praia da Enseada para passear) poderia ter escolhido outras – são tantas em Guarujá. Poderíamos ter escolhido outro lugar para sentar, bem como meu amigo. Enfim, havia tantas chances de utilizarmos o nosso livre-arbítrio para não nos encontrarmos, mas foi exatamente isto que promovemos. Um estudo de probabilidades poderia concluir que tal acontecimento é tão improvável quanto um meteoro cair em cima da Terra hoje!

Esta coincidência (e tantas outras) só nos leva a crer que existe uma força desconhecida que deve ser levada em conta nestes cálculos de possibilidades para fazê-la mais provável. Uma força que explicaria a ocorrência de fenômeno tão improvável.  Uma força que, enfim, tornasse-a provável…

Só pode ser, claro uma força inteligente. Porque uma força burra e irracional deixaria o fenômeno ainda mais improvável do que já é. Deve ser uma força inteligente, que torne o “acaso” mais provável, eliminando todas as possibilidades contrárias ao acontecimento que essa força pretende causar (no caso, o encontro de dois grandes amigos), eliminando as ocorrências que atrapalhariam ou impediriam tal fato – como, por exemplo, a minha tia escolher outra praia; ou nós entrarmos na praia Enseada pelo lado oposto (tem 5 km de extensão, se estivesse do outro lado, nunca teria encontrado meu amigo).

Essa força, então, deve ter uma abrangência enorme, porque não pode funcionar apenas como uma peça nesta fileira de acontecimentos que estão se sucedendo, ela deve “atrapalhar” um monte de acontecimentos que poderiam impedir a ocorrência do encontro entre os amigos.

Além de inteligente e abrangente, parece que ela é uma força gente boa, porque só um gente boa poderia trabalhar tanto para fazer dois amigos queridos se encontrarem no meio de uma multidão de barracas, cadeiras e gente.

Temos, então, nesta teoria, um esboço do que as pessoas chamam de Deus.

Daí, então, vem a minha grande dúvida: Deus, essa força inteligente-abrangente-genteboa (ou, em outras palavras, onipotente, onipresente e soberanamente boa e justa), para ocasionar o fenômeno do encontro de dois amigos, teve se suprimir o livre-arbítrio de muitas criaturas. Sim, porque se deixasse que cada um fizesse aquilo que lhe convinha, a probabilidade de os dois amigos se encontrarem era mínima. Poderia acontecer, mas era muito pequena.

Mas, se suprimiu, qual é a graça de vivermos?

Vivermos para sermos controlados?

Aí é que tá!

Continua no próximo post…

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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Uma resposta para Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 2)

  1. vinigodoy disse:

    Espero não estar adiantando reflexões futuras. Mas minha opinião, é que não podemos olhar o livre-arbítrio de uma perspectiva terrena. Pois na terra, ele realmente “não existe”.

    Por mim, é mais ou menos assim. Fazemos um planejamento no plano espiritual do que vai ser nossa vida. Que tipo de provação passaremos, que amigos estarão por lá para nos ajudar em nossa jornada (ou para que nós ajudemos), que inimigos iremos nos encontrar e sob que circunstâncias. Ótimo.

    Na terra, estamos apenas executando esse plano. Portanto, muitos fatos, eventos, serão resultado desse planejamento, e estarão “pré-destinados” a ocorrer. O que torna o arbítrio existente, é que esse “pré-destino”, foi um plano traçado por nós mesmos, ainda na consciência de espíritos. E, claro, é o fato de que podemos falhar em muitos aspectos do que planejamos.

    Entretanto, podemos extrapolar a sua reflexão também para o plano espiritual. E é aí que fico curioso para ver os próximos posts.

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