Um de meus anseios

Tenho uma vontade, ainda pequenina em meu ser, de possuir aquele equilíbrio de quem muito trabalha, e pouco se importa com as palavras dos outros. Sabe, aquela tranquilidade interior, de um monge que passa o dia varrendo, limpando, agoando plantas, conversando fraternalmente, estudando, meditando, e que acaba por não se importar muito com a rispidez e falta de sensibilidade das pessoas? A paz interna da senhora pequenina de cabelos brancos, que levanta cedo (velha forte!), arruma a casa, toma seus remédios, faz o almoço para os filhos e netos, e pode ficar dias sem ver televisão, meses sem entrar na internet (ela provavelmente nem sabe o que seja isso!), anos sem saber das futricas do mundo, das fofocas do povo…

Sabe, aquela calmaria no peito, de quem não se importa se só dá amanhã, se não deu do jeito certo, se nunca mais vai dar. De quem sabe esperar anos, cuidando de uma pequena semente, para poder retirar os frutos da grande mangueira que ela um dia se tornará. Da mãe que leva o filho 9 meses na barriga, carrega-o por um ano, dá-lhe comida, estudos, cuidado, carinho, e que deixa o garoto – agora já adulto – sair de casa e viver a sua vida, sabendo que ele não lhe pertence…

Como posso, eu, conseguir tamanha sabedoria e paz? Eu me inquieto com as menores coisas da vida. Ainda tenho muitas paixões. Me exalto como uma criança perto de meus amigos queridos. Não sei aproveitar direito os momentos com minha família. Vivo muito o futuro ou o passado, esquecendo do agora. É sempre “Amanhã eu vou fazer uma coisa muito legal!”, ou então “Ontem aconteceu uma coisa que eu fiquei revoltado!”, e o agora vai passando, sem eu ver…

Como inserir-me no Cosmos, fazendo-me parte dele, como apontavam os estóicos na sua bela filosofia?

Como trocar um dia de muitas atividades, música, teatro, shopping, cinema, amigos, luzes, cores, velocidade, como trocar tudo isso por um dia de conversa simples com meus pais?

Acho que estou aprendendo a valorizar mais essas coisas pequeninas. A fazer de cada momento, por menor que ele seja, um momento único. Tenho me esforçado para isso. Aprender a conversar, a ouvir. A entender, mais que ser entendido. A conviver mais com a natureza, a escutar músicas lentas, a fazer trabalhos simples e demorados (como a confecção de boletos para a Comissão de Formatura da minha sala…) com uma pequenina tranquilidade na mente. É uma tranquilidade tão pequenininha que é quase como se não houvesse nenhum sentimento ali, na pessoa (lembrem-se do jardineiro que agua suas flores, do monge que medita sob frondosa árvore).

Não deixou de ser um jovem cheio de energia, que não consegue compreender muitas idéias ao mesmo tempo na cabeça por causa da velocidade rápida com que, muitas vezes, costumo agir. Um jovem cheio de luxúria que não consegue passar um dia sem pensar em besteira ou olhar com lascívia para as partes baixas (é, hehehe, não me condeno por isso, é natural de todos nós). Um jovem egoísta que faz muita coisa só para si, e que depois não sabe porque fica tão melancólico.

Tenho coisas boas, é verdade. Por exemplo, essa vontadezinha que tenho de buscar um pouco de paz. A vontade que tenho de mudar para melhor a vida das pessoas. A vontade de esforçar-me para coisas úteis. Boa-vontade, talvez seja uma das minhas melhores qualidades. Não podemos nos condenar tanto. A mudança é progressiva, devagar, como a mangueira que cresce…

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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