A minha cachaça!

“Todo mundo tem a sua cachaça” Álvaro Catelan

Todo mundo tem alguma válvula de escape para os problemas da vida. Como o professor mesmo disse, a gente tem que aprender a enganar a vida, para que ela possa ir passando, sem que tenha tanta dor. Enganar a vida, pegando só as coisas boas. Quando a coisa aperta, é só recorrer a cachaça, que não tem de ser necessariamente a bebida alcoólica.

Escrever é uma das minhas cachaças. Escrevo para desabafar, para aquietar meus desejos… Porque sou tão jovem, e queria tanto ter alguém para beijar e conversar, num relacionamento de namoro que tivesse, ao mesmo tempo, respeito e amizade. Mas como poderei isso, sendo como sou, tão tímido, tão medroso?

Somos um albergue, como diria Rubem Alves, cheio de nós ali dentro. Há, dentro de mim, um João professor, um João criançona, um João bem idoso… Mas há também um João jovem, que pensa como jovem, que acha que é forte como um jovem, mas que é um confuso bobão, como jovem mesmo. Imagine, esse João jovem está quase apaixonado por uma pessoa sem ter ao menos trocado algumas palavras com ela! Apaixona-se só pela estética? Ou será que, mesmo achando bonito, algo mais pode atrair dois jovens?

Não sei. Ser João jovem é difícil demais. Ademais, a oportunidade já passou. Tenho dentro de mim um João padre também. Esse senhor diz que Deus toma conta de tudo, que não há nada sem uma razão específica de ser, e que Maria de Nazaré cuida até mesmo de nossos menores anseios, porque ela é Mamãe do Céu que entende a todos os filhinhos. O João jovem confessa ao padre que não percebe nada disso, e que acha que Deus e Maria tem coisas mais importantes para se preocuparem. O padre diz que não, que Ela entende a nós, as nossas dificuldades, e que inclusive encaminha as pessoas certas para as nossas vidas.

Mas, nesse momento, João jovem já se recolhia, tristonho, ao seu quarto do albergue. O João padre, que não queria ficar falando sozinho, entrou para o seu quarto também – talvez para rezar um pouco. Ademais, outro João já estava querendo sair de seu quarto. O João idoso, sem espinhas ou hormônios, lento como uma tartaruga…

Esse idoso gosta de conversar, escrever, dar conselhos, e não entende muito dessas coisas de jovens.

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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3 respostas para A minha cachaça!

  1. Paula disse:

    Querido João,

    É impressionante como nos identificamos em algumas linhas un do outro.
    Sabe, lendo esse seu texto, pensei muito na definição que eu gosto de dar sobre mim mesma: que sou muitas (em uma só.). E nós todos somos muitos sim, e feitos de muitos outros também.Mas somos singulares,coesos.
    Confesso, agora que você me abriu uma brecha, que eu sempre tive essa mesma impressão que você diz ter de si mesmo em certos momentos: que você às vezes é como um senhor.Talvez porque eu te respeite muito e nós tendemos a ter mais respeito pelos mais velhos (assim manda o código social), ou talvez porque eu te considere alguém de uma sabedoria sublime, daquelas que só tem quem já viveu muito e acumulou inúmeras experiências, muito embora você não tenha vivido nem duas décadas.
    Não se tranque no quarto, João Jovem!(Também não mate o idoso!).Abra a porta e permita-se sair.. e abra a porta para os outros entrarem. Não pense que seus desejos e anseios de uma adolescência tardia (já juventude), só porque são físicos,ou tangem uma carência afetiva ou mexem com uma insegurança (que não é comum aos idosos, de fato) são menores ou te fazem supérfulo.. não. Se render à eles não significa que deixarão(que nós deixaremos) de te respeitar e de te admirar como o grande conselheiro,sábio e amigo que é.
    Eu vejo a vida como algo a ser explorado – em todos os seus planos! – talvez daí o meu espírito tão aventureiro,desprendido..sempre em busca de novos lugares,vivências,pessoas,sentimentos,sons,cores,odores e sabores! Explore-a em todos os seus sentidos! Desde o espiritual ao material.. de o do conhecimento ao afetivo.
    É possível sim,digo, é possível conciliar as duas coisas!E faz bem! =)

  2. Paula disse:

    Esqueci: também compartilho da mesma “cachaça”, embora eu às vezes à largue de lado por falta de tempo ou inspiração.. mas éscrever é mesmo viciante.

  3. Chrystian disse:

    João, adorei a maneira como você dividiu bem as coisas. Acho que o JJ (João Jovem, hehehe) é, às vezes, suprimido pelos outros Joãos pela insegurança. Acho que você não se permite sentir a insegurança (nós não nos permitimos).
    Constumo usar, como a chave para abrir a porta da não-timidez (cara de pau), o desafio e, muitas vezes, a incosequencia. Faço, antes de pensar o que isso pode trazer. Pois se eu pensar, não farei. E não digo para fazer coisas erradas e inconsequentes. Faço isso quando sinto que é o que eu quero e não fará mal a ninguém.

    “Ademais, a oportunidade já passou.” O que foi isso? Uma desistência? Não, o JC (João Completo) não desiste assim. Quando a pessoa passar por você, se houver então outra oportunidade, segure-a pelo braço e apenas diga: “Eu gosto de você”. Ela com certeza ficará assustada. Mas é interessante sentir a reação das pessoas. O pior que pode acontecer é ela virar a cara e sair.

    Parágrafo aleatório: Essa coisa de reparar a reação das pessoas é o máximo. Já reparou como as pessoas ficam encomodadas quando olhamos fixamente nos olhos delas? Adoro fazer esses ‘testezinhos’.

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