Higiene Mental

A nossa mente não é mais um compartimento de nosso corpo: é o único. Reflitam: aonde estamos? Nos pés? Nas pernas? No órgão genital? No estômago? Em nenhum deles. Fazem parte de nós, mas não somos nós, ali. Na verdade, estamos localizados na nossa própria mente. Dentro da cabeça, que seja; mas não estamos no cérebro, tal qual o ratinho do “MIB – Homens de Preto”, comandando de dentro do compartimento do cérebro a máquina do corpo. Reduzir-nos ao cérebro e chamarmos a nós próprios de criaturas gosmentas e beje-esbranquiçadas, porque isto é o nosso cérebro.

A mente parece ser maior que o próprio cérebro. E não parece ser definida por algum órgão, ou qualquer coisa que contenha células. Isto porque nossos pensamentos são dotados dessa “imaterialidade”, não são propriamente tangíveis, tratáveis, visíveis. Nós não podemos ser cassados, matados, porque nada no mundo pode deter a nossa individualidade.

Percebam que essa idéia, sozinha, já nos leva a crer no espírito, entidade imaterial enclausurada no corpo material, que sobrevive a morte dele. Mas isto é outra história. O que quero falar aqui, neste post, é sobre a higiene mental. Se somos, mais do que tudo, aquilo que pensamos, então termos higiene da mente é fator importantíssimo para a nossa vida saudável. Mantê-la limpa é banhar a nós próprios! Porque o corpo é parte nossa; já a mente somos nós.

Quais pensamentos nos deixam sujos, na opinião de vocês? Na minha opinião, todos aqueles que, de alguma forma, trazem (ou poderiam trazer, caso fossem exteriorizados), infelicidade para outros e para si próprio. Exemplo: maledicência mental. Julgar as pessoas na mente, de forma bem maliciosa e pouco justa. A pessoa com esse teor de pensamentos está suja, precisa limpar-se. Neste caso, esse movimento de julgar os outros está impedindo que ela olhe para si própria, para analisar o que precisa para ser verdadeiramente feliz. A sujeira mental esconde dessa pessoa as suas próprias deficiências. E quem não conhece a si próprio, não pode ser feliz.

Outro exemplo são os pensamentos infelizes de tédio, desânimo, falta de motivação para viver. A pessoa está se sujando por dentro, porque deliberadamente escolhe a pior parte de tudo e de todos. Acredita que sua visão míope é dotada de clara verdade. Esqueceu-se da beleza em si próprio e da beleza dos outros.

Volto a frisar: temos de buscar a felicidade. E ninguém é feliz se não entender a si próprio, este arcabouço mental que somos nós – cheios de conceitos, pré-conceitos, ideais, criatividade e emoções. Para alcançar a felicidade, temos de conhecer  nossa mente. Se ela anda suja, temos de descobrir porque a sujamos. A causa, sempre, de toda sujeira mental, parece ser o egoísmo.

Duvidam? Reflitam comigo. O amor, se formos pensar filosoficamente, é o preocuparmos mais com o outro que conosco próprio. O egoísmo, ao contrário, é o preocupar conosco mais que com os outros. Ele produz todas as fezes psíquicas. A maledicência, dita acima, nada mais é que o egoísmo da presunção de superioridade. A pessoa sente que pode criticar as outras porque acha que ela própria não apresenta os defeitos que aponta; a melancolia é o egoísmo de achar que o mundo gira ao redor de si, esquecendo das inúmeras dores alheias, muitas vezes maiores, que os outros tem de suportar. Falta o link do amor. Se, no primeiro caso, a pessoa entendesse como é ruim ser maldito, e entendesse que ela própria não é uma santa, trabalharia para melhorar-se, e trataria os outros com mais respeito e carinho. Se, no segundo, a pessoa se dispusesse a ajudar as outras em suas dores, seria inclinado a dar o que há de melhor dentro de si, e redescobriria a sua capacidade de amar e ser feliz.

Curiosamente, esse texto meu, que aborda alguns conceitos da psicologia (embora eu próprio não conheça-os muito bem), acaba adentrando à doutrina de Jesus Cristo, que propõe o amor como sentimento único à felicidade. Acho bonito essa sagacidade de Jesus, porque há dois mil anos cria um roteiro de felicidade que, até hoje, a ciência periclita em moldá-lo – embora, aqui ou ali, como vemos, tem acertado.

Bom, é isso. Concluindo as minhas idéias, acho que devemos também procurar sempre ler, ouvir, conversar e ver coisas que possam causar impactos agradáveis na nossa casa mental. Se tivéssemos uma autonomia, um domínio da mente, para bloquear as iniciativas do pensamento, não precisaríamos selecionar essas coisas, nada nos afetaria. No entanto, na maioria das vezes, não controlamos a criação dos pensamentos. E as coisas de fora estimulam-nos a criações nem sempre saudáveis. E o pior de tudo: quase não damos conta disso. Uma televisão barulhenta, deliberadamente escolhida por nós para ser assistida, produz uma sensação interior de revolta que nem percebemos. Basta desligar o aparelho para, então, pensarmos: “Nossa, como tudo está calmo e em paz. Como essa tv estava perturbando meus ouvidos!”. Então, temos de saber escolher essas coisas também.

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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Uma resposta para Higiene Mental

  1. GABRIELE disse:

    JOAO GOSTEI MUITO VOCE EMUITO CRIADO . MEU NOME E GABRIELE

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