A beleza em ser professor

Acho que há muita beleza em ser professor.

Aquele que ensina está, de início, movendo esforços interiores bem grandes para poder tentar transmitir ao outro aquilo que sabe, da melhor forma possível. Esse movimento, imperceptível para os de fora, é uma revolução dentro do professor. Ninguém nasce com o dom de ensinar…

O ato de transmitir algo não é tão simples quanto se parece. Não basta saber do assunto: é necessário saber transmiti-lo. Há professores-doutores cujas aulas são insuportáveis. Educação há quando necessariamente o aluno apreende alguma coisa. Isso, volto a frisar, não é tarefa fácil.

De modo que o professor também aprende, porque nessa tentativa de explicar algo, ele pode precisar percorrer inúmeros caminhos. Cada aluno é uma mente diferente, portanto vê o mundo de uma maneira muito própria e particular. Para que a mensagem do professor possa adentrar e ser assimilada nesse complexo ímpar, o professor deve “rebolar-se” todo para fazê-lo. Curiosamente, o professor vai descobrindo como é que o auno assimila as coisas, e a partir de então torna-se cada vez mais fácil ensiná-lo.

O professor aprende muito, porque vai associando as características das pessoas com a forma que elas tem, próprias, de entender o mundo, e assim vai filosofando sobre questões cruciais da existência humana. Um aluno não é simplesmente uma caixa vazia que deve ser preenchida. É uma caixa já cheia, que está sendo estimulada pelo professor. “Ninguém educa ninguém”, diria Paulo Freire. O professor dá um cutucão, provoca. Esse cutucão, como disse acima, deve percorrer o melhor caminho para chegar na cabeça do aluno. A partir daí, o processo de educação é todo dele. O que vai assimilar, como, o que isso vai motivá-lo, o que vai levar a refletir, com que outras coisas vai associar o que foi dito, se vai interpretar da maneira como o professor esperava…

Então, além dessa beleza em poder perceber como os outros vêem os seus mundos, o professor ainda conta com esse lance da imprevisibilidade, em relação aos seus alunos. Além de tudo, o ato de educar é, sobretudo, um ato de caridade.

Sim, porque não há coisa mais bela do que parar de escalar para ajudar os retardatários. O professor, de certo modo, pára de escalar, porque deixa de adquirir conhecimento só para si, e passa necessariamente a transmiti-lo aos outros. Então, ao invés de pesquisar mais sobre tal ou qual tema, se contenta com o que tem, e a partir desse conteúdo, vai refletir sobre a melhor forma de transmiti-lo aos outros, que nada sabem. Por vezes, repete a mesma aula para turmas e mais turmas. O professor está cansado de saber sobre o tema, mas os alunos estão vendo-o pela primeira vez.

O professor é um retardatário nato. Deixa os homens brilhantes seguirem os seus caminhos, lá na frente, e vai sozinho ali atrás, ensinando as coisas mais básicas. Ninguém seria nada sem o professor, todos passam por ele um dia. Passam e não voltam mais, e a glória de seus pupilos é deles, e não sua (de fato, a educação, como vimos, depende muito do aluno para existir).

Enfim…

Gosto desse assunto. Sou apaixonado pelo ensinar.

Voltarei a falar mais sobre isso… Agora, o sono me consome. Sâo quase duas da manhã de sexta-feira. Estou com tanta vontade de dormir que a sensação é semelhante aquele que tem muita vontade de cagar, mas não pode. Sabe, a sensação de que um peido, mísero de seja, pode fazê-lo borrar todo? Acho que se fechar os olhos durmo aqui no teclado mesmo…

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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Uma resposta para A beleza em ser professor

  1. Chrystian disse:

    Mas afinal, ensinar é um dom adquirido ou nato? Você, pelo dito, acredita na primeira opção. E se formos observar, de fato, não se nasce sabendo ensinar. Essa não é uma característica biológica e hereditária. Talvez algumas características possam nos ajudar a aprender a ensinar e sejam favoráveis a isso.
    Porém, João, e os dons adquiridos em outras vidas? Se antes de ser o Chrystian, fui um destemido professor de humanidades, por exemplo? Carrego isso comigo (na alma), certo? Então já nasço sabendo. Só não sei que sei.
    É complicado isso.

    Posso utilizar seu texto em uma aula na faculdade? Estou fazendo algumas matérias de educação e o que você escreveu tem muito a ver.

    Se puder, responde no meu blog.

    Abração, João.

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