Teoria da Felicidade – Reaprender a ser pequeno

Quando a gente reaprende a ser pequeno, a gente fica mais feliz.

No início, somos tão frágeis que só sabemos chorar, gritando por comida, por carinho. Não sabemos andar, nem falar, nem escrever. Pra tudo isso dependemos dos outros.

Daí, vamos crescendo, e criamos a ilusão da autosuficiência. Não sabemos mais pedir ajuda. Dizer “não entendi” já não é tão fácil como antigamente.Temos vergonha de nossas fraquezas. Escondemos nossas necessidades dos outros. Parece que a gente esquece de tudo isso que passamos! Nem queremos lembrar, acho. Agora somos gente grande. Não podemos errar. Não podemos ser mais dependentes.

Que mal há em ser pequeno!?

Vamos, todos, voltar os olhos para dentro de nós. Sermos sinceros conosco próprio! Levarmo-nos menos a sério! Alegrarmo-nos com as coisas que em nós consideramos mais ridículas! Isso não significa rebaixar-nos. Nós já estamos lá em baixo. Significa rebaixar a idéia que temos de nós próprios, que está lá no alto, quase pegando vôo…

Vamos rir da nossa pequenez! Todo muito faz cocô! Todo mundo peida! Todo mundo gosta de carinho na nuca. No escuro, arrepia os pêlos, de medo. Quando a coisa aperta, reza pra todos os santos. E quando dói demais, chama a mãe, bem baixinho (pra ninguém ouvir…). Porque todo mundo teve ou tem mãe, pai. Teve infância, foi bebê. Todos um dia vão morrer, gente, os mais fortes e poderosos pararam lá, debaixo da terra. Todos, mesmo os mais corajosos, já tiveram medo (mesmo que seja segredo!). Então não tem vergonha, nem pudor, nem vaidade, porque a gente é pequeno mesmo! Quando, por exemplo, a natureza ruge, a gente vê o tanto que é pequeno. Quando uma doença nos bota na cama, a gente vê o tanto que é frágil. Quando um familiar muito querido nosso morre, a gente vê o quanto dependemos das pessoas.

Então, se a gente não entender isso, a gente vai ser muito infeliz.