X-MEN – O Sonho do Professor Xavier

Amigos, estou nestes últimos dias, querendo escrever romances. O texto que lerão agora é o prefácio de um romance que ainda não comecei, mas que apresentará os personagens inesquecíveis dos X-men. Realmente, não sei se continuaria escrevendo-o. Mas estou animado.

Espero que gostem…

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PREFÁCIO

Da janela mais alta da “Escola Para Meninos Especiais”, a visão que se tinha era aterradora. O belo jardim todo destroçado, as fontes d’água rachadas e secas, as grandes árvores pegando fogo. Um véu de fumaça negro esparramava-se pelo vale, cobrindo corpos caídos e ensangüentados, em sua maioria de jovens. Horas atrás, o local servira de palco para uma grande batalha. Agora, não havia mais gritos, nem explosões, tão só o crepitar do fogo na noite silenciosa.

De dentro, o escritório do diretor impecável, envolvido num carpete azul, estantes cheias de livros (os de filosofia em posição de destaque), uma televisão num canto, poltronas, cômodas e jornais e revistas. Ainda se lia a manchete do jornal do dia: “Presidente dos Estados Unidos convoca exército para derrotar Magneto”. Na foto, um homem de uns cinqüenta anos, magro, vestido numa roupa roxa e utilizando um capacete, é mirado com o dedo pelo Presidente da República.

— Fiquei bem nesta, não, Charles? — disse o homem, pegando o jornal e mostrando a si mesmo.

— Erik — disse outro homem, rosto redondo, careca, numa cadeira flutuante de cor dourada, com o semblante carregado na mais profunda tristeza — Por favor…

Magneto atirou o jornal na bancada. Vestia-se tal qual apresentava na foto do jornal, exceto porque não usava o capacete roxo. Seus cabelos ligeiramente grisalhos davam mostras de sua meia-idade.

— Charles, Charles, meu velho amigo…

O professor Xavier não respondeu. Baixou a cabeça. Seus olhos estavam molhados.

— Hoje, você matou muitos dos meus alunos. Meus amigos, professores. Até onde levará essa loucura, Erik?

Magneto olhou-o com certo ódio.

— Porque ainda acredita nos seres humanos?

— Eu tenho um sonho — disse Charles, erguendo a cabeça. — Sempre tive. Sempre acreditei nele.

— Sonho!? — respondeu o outro, desgostosamente. — Não me venha com essa de novo, Charles! Por favor! Você não vê como somos considerados ameaças? Como nos vêem? Como nos tratam?

— Você começou a guerra.

— Não! — respondeu Magneto. — Eles começaram. Eles sempre começaram! Eu estou dando o tratamento que lhes é devido, apenas. Cretinos. São, de fato, raças inferiores. Homo sapiens tolos! Está nascendo uma nova ordem de seres humanos, Charles, não percebe que fascinante? Será que não vê isso!? Nós somos a nova raça!

Magneto possuía olhar triunfante. Charles Xavier encarou-o por um momento.

— Erik — disse o professor Xavier, calmamente — Não há nada que nos diferencie uns dos outros. Ainda se é possível construir uma sociedade pacífica, onde homens e mutantes caminhem juntos. Trabalhei a minha vida inteira para isso. Há muita gente compreensiva e boa, em todos os setores da sociedade.

— Por favor, Charles, não me faça rir. O homem quer o poder e a força! Mas como nós detemos maiores poderes que eles, querem-nos eliminar! Não há amiguinhos humanos que possam deter a fúria da humanidade gananciosa, rude e preconceituosa.

— Erik, não perca as esperanças nos homens. Creio que há, ainda, no fundo de sua alma, uma réstia de fé neles. Afinal, como eu, como todos nós, seus pais também eram humanos.

Por um momento, Magneto pareceu se desconcertar.

— Lembre-se de sua mãe, Erik. O que era aquilo, então, que fluía do coração dela e lhe atingia, mesmo quando bebê? Aquela força que o envolvia, Erik, como sabemos, era o amor. O sentimento que não distingue humanos de mutantes. Une a todos. É poderosíssimo.

— Chega de conversa, Xavier! — gritou Magneto, recompondo-se. — Não sei porque ainda me digno a conversar contigo. Você sempre terá essa mente utópica e inocente. Nunca vou partilhar de tuas idéias! Olhe para fora, veja o meu poder, o que meu exército pode fazer! Você não é mais nada, Charles. Não pode mais nada. Una-se a nós, para a grande vitória!

O professor Xavier, apesar de esgotado, ainda o encarava com nobreza. Lembrou, naquela face já cortada por algumas rugas, o seu antigo amigo Erik Lehnsherr, companheiro de estudos e política. Por longos anos partilharam conhecimento e companheirismo. Embuídos pelo mesmo desejo de conhecer, recrutar e proteger os seus. Mas rumavam para caminhos diferentes agora… Ele, Charles, acreditando na união com os homens. Erik, na supressão deles. Não poderia concordar em apoiá-lo. Não mais… Ele já não era Erik, afinal. Era Magneto.

Charles balançou negativamente a cabeça.

Magneto esboçou grande decepção para com o antigo companheiro.

— Estou sem o capacete, Charles. Sua bela aluna foi muito bem treinada, admito. Deixou-me completamente vulnerável. Mate-me, então, professor Xavier! Impeça-me! Utilize sua força para acabar comigo de uma vez por todas!

Ele abriu os braços e esperou.

— Não? — disse ele, após alguns segundos. — Eu já sabia, Charles! És um pacifista até o último segundo, não é mesmo?

Riu desgostosamente. Depois, misturou ao seu desgosto uma certa determinação resignada no olhar.

— De todos os que sucumbiram, Charles Xavier, você é o maior deles. Mas, infelizmente, se não quer se unir a mim, terá de morrer como os outros. Após esta noite, não mais existirão os X-Men. O caminho estará livre para a grande vitória dos mutantes. Adeus, meu velho amigo.

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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