Reflexão sobre reforma íntima

1) Reconhecer, em primeiro momento, os aspectos mais infelizes de nossa personalidade.

Entender a extensão destes aspectos, por meio de uma análise racional e sincera (portanto, precisa, nem para mais nem para menos) de nós mesmos. Fazer isso, por exemplo, perquirindo a razão de nossas motivações, que nem sempre são tão boas como fazemos as pessoas crer (ou a nós mesmos, porque muitas vezes escondemos de nós as nossas reais intenções); detectando os sentimentos de inveja ou ciúmes de que somos invariavelmente portadores, quando por exemplo nos incomodamos, injustificadamente, com as vitórias e acertos do próximo; detectando os sentimentos de posse e domínio que ainda fazem parte de nós, seja dentro do lar, exercendo tirania doméstica (sobre o cônjuge, filhos), nos relacionamentos outros (amigos, namorados) ou o apego excessivo aos postos de coordenação e liderança, nos agrupamentos religiosos, de trabalho profissional, políticos, etc; avaliando com frieza a razão de nossas reações diante dos quadros da vida, principalmente aquela reação que não prevíamos poder ter, em relação a determinado evento.

Apenas mediante profundo auto-conhecimento é possível transformações duradouras. Para isso, é necessário devassar, com coragem,  as nossas sombras.

2) Em seguida, tratar dos aspectos menos construtivos de nossa personalidade com indulgência e rigor, dentro de um processo de amor severo, da mesma forma como uma boa mãe educa a sua criança. Ainda estamos longe de desvendar todos os meandros de nossa personalidade; esta viagem interior se faz aos poucos. Na medida em que vamos tomando conhecimento de quem somos realmente, do jeito que somos, vamos nos esforçando para revolver este barro de imperfeições e transformá-lo em terreno fértil para manifestações de vida e beleza.

A maldade que há dentro de nós não pode ser anulada ou deletada; ela é trabalhada, direcionada, com criatividade, para outros fins, aos poucos e sempre, nem que seja um milímetro por dia. Não há espaço para milagres: a luta é diária,  e poderemos cair anos, ou talvez ainda muitas encarnações, para transformar em definitivo certos aspectos de nossa personalidade. O importante é imbuir-se de esforço perseverante e entender que certas nuances não podem sumir, de uma hora para outra, apenas redirecionadas. Por exemplo, um sujeito que seja viciado por certas substâncias pode transferir a necessidade viciosa de algo mais prejudicial a sua saúde para algo menos prejudicial; um homem que seja violento e excessivamente competitivo pode deslocar tais impulsos para a prática de esporte ou tornar-se empreendedor; a moça que adore fazer compras pode escolher presentear crianças carentes de alguma instituição beneficente…

Não podemos exigir de nós posturas acima de nossas capacidades: devemos amar a nós próprios, como somos, apesar do que somos. Não ser negligente com nossas imperfeições: apenas aceitá-las como parte do que somos, em razão de personalidade que foi construída não somente nesta vida, mas em outras tantas antes desta, em circunstâncias, tempo, pessoas, lugar, que não poderíamos sondar. Ir trabalhando, aos poucos e com amor, e criatividade, para mudarmos.

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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Uma resposta para Reflexão sobre reforma íntima

  1. Anônimo disse:

    Inspiradíssimo!

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