Paixão é uma doença!

O comentário é, por incrível que pareça, de uma menina, amiga minha, a um tempinho atrás. Foi dita assim, de forma racional, lógica, num tom de quem tem repugnância a esse sentimento – e foi engraçado, ver uma menina, nova, falando assim. Pareceu um senhor de meia idade falando.

Mas, de fato, refletindo sobre isso, é preciso concordar com ela: a paixão é sim uma doença. Doença no sentido de ser uma idiotice (talvez, também, no literal, uma espécie de doença mental).

Quem está “apaixonado” não está gostando do outro: está gostando o que imagina ou o que queria que o outro fosse. Está se iludindo, numa doce embriaguez. Vê alguns pontos positivos e agradáveis (a ânsia sexual está aí também), e releva ou subestima os pontos negativos – isso quando consegue enxergar algum. E se o outro também está apaixonado, então temos dois loucos, amando duas pessoas que não existem.

Primeiro: o gostar, de verdade, é só com o tempo. Não tem essa de: “ah, quando eu o vi, me apaixonei!”. Convive com ele ou ela uma semana, um ano, e quero ver se já consegue falar de forma tão doce e infantil a mesma frase.

E outra: quando a gente gosta mesmo, de verdade, e isso em relacionamento conjugal mesmo, a gente gosta do outro assim: como ele/ela é, sem se iludir, com os defeitos e as qualidades. Vê o outro não como gostaria que fosse, mas como é de verdade: e, nesse todo de coisas adoráveis, coisas boas, coisas chatas e coisas detestáveis, o indivíduo “se apaixona” – aí sim – passa a gostar do outro desse jeito dele. Respeita e se sente respeitado, tranquilo para ser exatamente como é: e nessa sinceridade, se gostam. Mas sem negar que, muitas vezes, o que ele/ela quer é estar sozinho. Fazer suas coisas.

Por isso que os casamentos não dão certo: casaram-se ainda na paixonite. Eu acho que pra casar, tem que experimentar viver juntos, pelo menos uns seis meses. Juntos mesmo, aguentando um ao outro o tempo todo.

Enfim, pra cortar o barato dos românticos: se você está apaixonado, não está por ele ou ela, mas sim por si mesmo. Se deu ao luxo ou quis assumir a loucura de achar que encontrou alguém que simplesmente te completa.

Acorda, ou, ou!

Ninguém te completa.

Você se completa!

Quem tem que dar conta de você, meu amigo, é você mesmo.

Eu acredito no amor conjugal, não nego. Mas é “conjugando” isso aí: encontrar alguém que te goste, e que você goste desse alguém, e que vocês se respeitem, mas que também tenham um tempo só pra vocês, e enfim: que vocês não dependam um do outro pra viver. Dá pra viver um relacionamento bem bacana desse jeito, um respeitando o outro, sem pular a cerca, o que eu acho um desrespeito imenso – aliás, um relacionamento assim, mais “livre”, é exatamente aqueles em que há menos infidelidade. E o que causa menos traumas se houver uma – sempre possível – separação.

“Sem você eu não vivo!”

Argh, que babaquice!

Da paixão, vem também os ciúmes ou a decepção, vem o sufocamento, vem exigências descabidas. Loucuras e os assassinatos que temos nas folhas de jornais, dia ou outro.

Amor confia. Deixa ir. Ama com estrias; deixa o outro crescer, se alegra com isso; deixa o outro ter amigos; deixa o outro ter a sua religião. Ama o outro e ama a si mesmo, em proporções idênticas. Não se acha partido, dependente do outro.

Em suma: amor conjugal é um plus na vida. Não é preciso dele ou dela pra ser feliz – na verdade, esse amor pode ser fonte intensa de infelicidade. É o que acontece, muitas vezes.

Parto do princípio de que devemos encontrar a felicidade sozinhos.

Mas um relacionamento conjugal, se encarado assim, de forma mais racional e lúcida, pode ser bem legal – bem gostoso mesmo – enquanto durar.

É o que eu penso.

P.S.: só pra constar como a paixão é idiota: um diamante azul que vale uma fortuna e poderia ser tão bem empregado na construção de uma creche, por exemplo (um belo ato de amor), foi tolamente atirada no oceano pela Rose… Pela paixão com o Jack…

E o povo ainda chora!

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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2 respostas para Paixão é uma doença!

  1. Anônimo disse:

    EU ACHO MENOS INTENSO OS PROBLEMAS DA PAIXÃO, TODO RELACIONAMENTO E UM GANHO, E DESFRUTAR de experiencia com o outro, isso e gostoso, então paixão faz parte dessa relação com o outro, e amor também é muito bom é a sublimação de sentimento. MAIS QUANDO A GENTE ENCONTRA ALGUÉM E TEM INTERESSE NÃO DA P DEFINIR O Q SE TEM SE É PAIXÃO OU AMOR, QUANDO ESTAMOS ENVOLVIDOS UM COM OUTRO A GENTE SEMPRE PENSA Q É AMOR, AI COM O TEMPO COMEÇA OS PROBLEMINHAS AI SIM A GENTE PERCEBE Q FOI APENAS PAIXÃO, A PESSOAS TEM Q TER MATURIDADE NO Q INVESTIR. E QUANDO SABER DISSO? COMPLICADO FALAR D COISAS DO CORAÇÃO. MAIS GOSTEI DAS SUA OPINIÃO, É SEMPRE BOM SABER COMO AS PESSOAS VEEM OS RELACIONAMENTOS AMOROSOS.

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