Formação continuada

Você me pergunta sobre formação continuada.

O que posso dizer, professor iniciante que sou, é alguma coisa sobre mim, só.

Acho que começaria dizendo que sempre estou insatisfeito com o meu trabalho enquanto educador!

Produzo relatórios diários e avalio constantemente a minha atividade pedagógica, buscando refletir sobre a conduta minha e das crianças/adolescentes, perceber onde errei, onde posso melhorar, conversando com colegas, buscando autores, estudando livros, publicações, que iluminem minhas “dificuldades de ensinagem”, que sustentem ou condenem minhas práticas. Pouco a pouco, minha prática vai ganhando fundamentação teórica e prática: aquilo que dá certo, eu incorporo, ou que dá errado, eu descarto (ou modifico). Sinto que, neste processo, cresço constantemente, embora as dificuldades, muitas vezes, me desanimem um pouco… Muitas vezes “mais que um pouco”…

Não digo as dificuldades de ordem burocrática/administrativa/política, que também existem e que são tristes, mas as dificuldades na intervenção pedagógica mesma, ou seja, no ato puramente pedagógico, na nossa especificidade profissional mesmo. Naquilo que acontece entre as quatro paredes da sala, o ambiente mágico a que, por alguma razão, gosto tanto de estar.

Neste caso, a insatisfação em relação ao meu trabalho é, realmente, muitas vezes, grande! Porque a “culpa”, neste caso, não é da coordenação, dos pais, do Estado e muito menos das crianças ou adolescentes: é minha mesmo!

Apesar de tudo – e acho que essa é uma virtude dos educadores – meu coração não se cansa de encher de esperança. De que no dia seguinte será melhor, de que lembrarei de fazer isso ou aquilo, de que testarei determinada forma de abordagem diferente, etc., etc.!

O básico, fundante, eu sei que tenho: um desejo de respeitar e amar a meninada, de doar-me inteiramente, de ser responsável e fazer o melhor em prol da educação deles! Que eles sejam felizes, melhores pessoas, que amem mais a vida.

Acho que nunca entrei em sala desanimado ou abatido!, embora muitas vezes saia dela insatisfeito.

Uma coisa sinto falta: de outros que compartilhem dificuldades, que não tenham respostas prontas, que me ajudem (e que eu possa ajudar)!

Diz-se da solidão dos professores: sozinhos, sentados em suas escrivaninhas, de frente para quarenta carteiras vazias. Que figura frágil, um professor com não-sei-quantos cadernos no braço, andando, encurvado, pelo corredor da escola!… Mas não precisa ser assim…

Você quer saber sobre formação continuada, e eu te respondo. Acredito que ela só pode se dar assim: professores que, compartilhando uma mesma realidade problemática, busquem saídas, através da reflexão conjunta, buscando as teorias, as publicações científicas, livros. Lendo relatos de experiência. Refletindo o que será melhor para a sua própria realidade, para a sua própria escola, e aplicando as mudanças, passo a passo.

Nada de palestra de final de semana sobre Piaget dentro de uma secretaria de educação abarrotada de educadores cansados e que mal se conhecem.

Formação continuada é teoria também, mas mais que isso: rima com dificuldades compartilhadas… E rima também com sonhos comuns. Dar-se conta da nossa incompletude, dar-se conta dos nossos erros (ainda que na melhor das intenções), e ir mudando, sempre, sempre!

Acho que a resposta é por aí.

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Sobre João

Olá, amigo do outro lado da tela.
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