A água

Morrendo de calor, dentro da sauna, depois de vários minutos de resistência, entrei dentro do chuveiro frio.

A água desceu gelada, na minha cabeça. Refrescante! Fechei os olhos, só ouvia o som a água caindo, mais nada.

Senti-me transportado para debaixo de uma cachoeira, com árvores verdes ao redor, passarinhos cantando… Longe do meu prédio, do  bairro, da cidade, num local sem correria e preocupações. A impressão que me dava era a de que a água canalizada no chuveiro metálico da sauna continha as impressões de sua grande jornada.

A água nascia na fonte, pequenina, simplória. Descia suave por entre os córregos, despejava-se nos rios, alimentava a terra, saciava os animais, as plantas. Corria para as cachoeiras, e percorria seu trajeto. Veio parar na minha cabeça, e me disse tudo isso.