O que penso sobre religião

O que penso sobre religião?

Acho que a coisa é íntima demais.

Há corpos doutrinários interessantes, aqui ou ali.

Particularmente, gosto do Espiritismo.

Mas a religião, no seu sentido mais profundo, independe de rótulos.

Religião é:

– A noção de grandeza – e o sentimento de imensa inferioridade do indivíduo frente ao Universo (sentimento mais facilmente sentido quando encaramos um Céu estrelado, ou quando nos surpreendemos com atos nobres de pessoas que não julgávamos capazes para tanto – sabe, quando levamos uma “porrada” da vida?).

– É tentar atribuir um sentido para tudo, que é aparentemente sem sentido – e não necessariamente conseguir fazê-lo, mas só o fato de pensarmos na possibilidade de haver um sentido, isso já é religião.

– É surpreender-se com os lances da vida. Deixar-se encantar, sentir a generosidade da vida – não com bens ou coisas materiais (também pode ser, mas não naquele sentido tão mesquinho de “pagar o dízimo” e “sair-se bem sucedido num negócio”) – quero dizer sentir a generosidade da Vida, através de coisa simples, de pessoas, de fatos que não barganhamos, simplesmente a Vida nos dá. Como uma flor que vemos, bela, na calçada: generosidade, isso. Ou, para os pais, os filhos.

– É crer na sobrevivência, para além da vida, daqueles que amamos – a Morte e o Amor se enfrentam num embate terrível, dentro de nós, e algum deles tem que vencer o outro (a religião nos ajuda a dar mais força ao Amor).

– É entender que tudo só faz sentido se o que há de mais nobre no homem for valorizado: paz, alegria, fraternidade, esperança, caridade, benevolência, humildade.

Enfim.

Religião vem de religare.

E é isso mesmo: nos ligar, de novo, na Vida – para que não nos sintamo-nos desamparados, nesse mundão de Deus.

Acho um movimento saudável da criatura – embora respeite os ateus e não os entenda inferiores.

Quem somos nós, afinal?

No fim, o Mistério sempre vai haver…

A religião não desvenda o Grande Mistério, que é a própria vida.

Mas nos ajuda muito.

Vanguardistas na Terra: o lado misericordioso de Deus para a humanidade

Na verdade, todos ainda precisamos enfrentar muita coisa na vida, porque já erramos muito em outras vidas. Para aqueles não adeptos ao reencarnacionismo, o raciocínio pode ainda ser bem claro: olhe para você e diga, com sinceridade, se há ou não há muita coisa a ser melhorada.

Deste modo, os desafios terrenos, as dores e as lutas que dizem respeito a nós, tão-somente, elas de certa forma tem de ocorrer: precisamos crescer. Isso é o lado da justiça de Deus, ou, como diria Jesus, é “a colheita do que plantamos”. Não se espera laranjas daquele que plantou cenouras…

No entanto, Deus é misericordioso, também. Porque tudo é tão difícil e cruel se formos olhar apenas para o lado do que seja ou não justo. Em nossa condição de miseráveis, Deus se enche de compaixão e nos dá aquilo que, a bem da verdade, não mereceríamos, mas que por misericórdia, nos é dado como dádivas celestes para suavizar o caminho que ainda teremos de percorrer.

Especificamente, a misericórdia de Deus se mostra muito patente nas reencarnações dos vanguardistas, naqueles homens e mulheres espetaculares por natureza, em muitos aspectos, que vêm ter conosco para ajudar a celeridade do nosso progresso.

Daí, reencarnam Gandhi, Madre Teresa, Chixo Xavier, Francisco de Assis, só para citar os mais religiosos (poderíamos dizer Einstein ou Newton, porque o progresso científico também propicia felicidade, ou Martin Luter King e Harvey Milk, dilacerando os preconceitos humanos como o racismo e a homofobia), todos espíritos mais elevados no carreiro evolutivo, que vem do Alto para suavizar nossas vidas e lutar pelo que é certo.

O pior é que, em geral, eles são incompreendidos e fofocados pela sociedade, que nunca lhes dá a devida importância. As pessoas parecem achar que eles são como que um “corpo estranho” no meio social (de fato são mesmo, porque pertencem a esferas mais sublimes), muitos intentados, inclusive, a desacreditá-los de alguma forma.

Muito cuidado, queridos leitores, para não desperdiçar a misericórdia de Deus para a Terra. Os homens  que prejudicaram tais almas em geral elouquecem de culpa – porque a consciência dizia sereme pessoasde bem – muitos tendo inclusive suicidado, como Judas e Pilatos…

Façamos, pois, uma rede de oração, para sustentarmos tais almas (que existem, na Terra, não aos montes, mas aqui ou ali), e pedindo a Deus que nos dê a chance de ajudá-los de alguma forma, naquilo que conseguirmos, rogando, entretanto, que não os atrapalhemos, que nos tire do caminho antes que seja tarde demais, porque, o que menos desejamos, é fechar a fonte de misericórdia para os nossos irmãos em humanidade!

Fragilidade

Todos nós temos nossas dores. Nossas fraquezas.

Só de estarmos imersos num Universo gigantesco, só isso já dá medo.

A fúria da Natureza é capaz de esmagar o homem indefeso.

E quem somos nós sem nossos pais? Sem a mãe? Nossos amigos?

Sem nossa vidazinha no nosso bairro pequenino?

Meu Deus! Como o ser humano é frágil.

—–

É isso que me conduz a Maria, a Mãe. A face materna de Deus para a humanidade terrícola. Que nos acolhe como crianças indefesas. Nos pega nos braços. Nos orienta e nos conduz. Afinal…

Como poderíamos ir assim, sozinhos?

Mundo sem fé

Acho maravilhoso escrever sobre as coisas simples da vida. O sorriso de uma criança, por exemplo, é algo tão sutil, tão suave e, ao mesmo tempo, tão maravilhoso e cheio de força, que impossível se é falar dele sem sentirmo-nos tocados.

A simplicidade dos homens e mulheres da roça, árduos trabalhadores, que desconhecem a internet e o shopping, os romances best-seller e os lançamentos cinematográficos, mas que aparentam um equilíbrio tão grande, me é belo. Não há surtos de loucura, depressões ou suicídios nas mansas fazendas com vacas, galinhas e plantas, pá e muito serviço braçal.

Isso me faz refletir sobre a vida na grandes cidades, a movimentação humana no Ocidente de um modo geral, e principalmente naqueles sentimentos que predominam em quase tudo: o materialismo, o imediatismo, o egocentrismo e o ateísmo.

As grandes descobertas tecnológicas; o conhecimento científico e seus inúmeros avanços; a valorização do prazer, inventado e reinventado por diversos artefatos humanos (ultrapotentes televisores, videogames, ar-condicionado, automação, sanduíches, roupas, jóias); meios de transporte e comunicação cada vez melhores. Uma gama de transformações que não conseguimos absorver de todo, ainda, e que talvez nunca venhamos a conseguir, em função de sua mudança tresloucada.

O poder do homem sobre a Natureza aumentou muito, isso é fato. Diante de tudo o que pode melhorar, ainda é muito pouco, é claro (imaginem as tecnologias no terceiro milênio!), mas estes poucos séculos de capitalismo fizeram-nos sair das sombras da Idade Média e alcançarmos um planeta completamente iluminado por letreiros de gás neón, totalmente globalizado e interconectado.

Mas, se o externo transformou-se, o interno ainda está engatinhando, em termos de transformação. O homem acredita ter poder e considera-se “semi-deus”. Os médicos consideram-se autores da vida, por causa da clonagem e das inseminações artificiais! Os cientistas consideram-se os criadores do Universo pela teoria do Big-Bang! Os publicitários consideram-se os senhores do convencimento e comunicação, pelo encantamento de cores e mensagens de suas campanhas.

O que falta, entretanto?

A resposta não poderia ser mais clara: Deus.

A ausência de fé é um dos grandes males do mundo da atualidade. Para acreditarmos em Deus, basta sermos lógicos e sinceros conosco mesmo. Somos pequenos e frágeis. Lembremo-nos de nos guiar pela razão e não pelo ego, e vamos sempre dizer: tudo o que existe, todas as coisas que há no planeta Terra, os próprios planetas e sistemas, todo esse emaranhado de cores, luzes, massa, gases, não pode ter vindo do nada, não pode ter sido criado do nada, porque o nada não é capaz de criar nada!

Um pouco mais de humildade nos fará visualizar, de forma clara e certa, que Deus – ou o que quer que lho chamem – tem de existir. E um pouco mais de sensatez nos fará vislumbrar que este senhor da vida (e estou colocando em minúsculos para não ofender o ego dos ateístas que lêem estas minhas palavras), esta força criadora de tudo, ela ainda está presente e pulsando na criação inteira!

Olhemos para este mundão, vocês acham que tá tudo assim, abandonado, que ninguém cuida dessa casa, que tudo está entregue aos farrapos? Que não existe algo pulsando para o amor? Que as ações de caridade, humildade, carinho não valem a pena e tem força? As coincidências, os encontros, as chances, serão meros jogos do acaso ou lições carinhosamente conduzidas?

O amor, afinal, é ou não é algo maior que apenas um jogo de hormônios animais?

Ah, leitores… O mal do mundo é a falta de fé!…

O que causa a loucura, a obsessão… Alimenta a vaidade… Leva a falta de ideais de vida… Insiste no prazer efêmero das coisas… Causa depressão… A ausência de lutar para o bem… O suicídio…

O fenômeno da fé é inexplicável, mas maravilhoso. Já disse aqui no blog, e repito: quando embuídos de fé, não perdemos a racionalidade, pelo contrário: adquirimos uma momentânea superracionalidade. As coisas não parecem mais claras e óbvias. E temos a certeza de que sermos pessoas boas e éticas vale a pena. Que o amor é a coisa mais importante de tudo o que existir nessa face da Terra.

Hoje é Dia das Crianças. As crianças são criaturas maravilhosas que nos encantam e emocionam com a simplicidade. E hoje, também, (coincidência ou não) é dia de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. É como Maria de Nazaré desejou aparecer em terras brasileiras: como negra, para simples pescadores, no interior de São Paulo.

Maria de Nazaré é o lado mãe de Deus para a Terra. Sim, Deus tem um lado mãe, ele não é só pai. Ora, fomos gestados por Ele/Ela, saímos da barriga Dele/Dela, por assim dizer!

Sintamo-nos, pois, acolhidos pelos braços maternais de Deus, por intermédio da figura santa de uma mulher incomparável, um grande Espírito: Maria de Nazaré, mãe de Jesus, com a roupagem de Nossa Senhora Aparecida, e sigamos orando, sentindo-a, como bons brasileiros cristãos…

Porque o Brasil é essa terra maravilhosa escolhida por Nosso Senhor Jesus para iluminar a Terra toda, não com a força ou perspicácia, mas com a fé, clareando os rincões escuros do materialismo e egoísmo!

Trecho interessante

“Você não está no patamar de excelência em que gostaria de estar, para cumprimento de suas responsabilidades, mas se lhe falta cultura, inteligência, maturidade ou mesmo virtude para exercer uma função que a Divina Providência lhe confiou, transforme a carência em êmulo constante à labuta de auto-transcendência, certo de que as lacunas da alma pedem preenchimento, mas, acima de tudo, uma busca de auto-superação, em atitude serena, humilde e sincera, para não pretender ser nem parecer melhor que os outros, nem se estressar para se converter no que ainda não é possível para seu atual plano evolutivo.” Gustavo Henrique

http://www.saltoquantico.com.br/2001/01/09/inspiracao-para-a-paz/

Indo contra o fluxo

“A Divina Providência, muitas vezes, dificulta o fluxo de certas ocorrências desejadas por Suas criaturas não porque pretenda bloquear-lhes a felicidade, mas justamente pela inversa razão, já que, com o atraso provocado, permite que a gestação de acontecimentos muito melhores seja levada até o fim, a incubação perfeita de processos que demandam mais tempo, para serem devidamente elaborados.

Portanto, em se sentindo pressionado, numa “encruzilhada” da existência, considere que o Criador pode lhe estar fazendo esperar justamente para galardoá-lo com um acontecimento muito melhor do que aquele que você deseja receber agora, mas que, talvez, ainda que não possa perceber de pronto, não seja mesmo o ideal para sua felicidade.” Eugênia

de http://www.saltoquantico.com.br/2004/12/23/termodinamica-da-vida/

Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 3)

Há duas teorias antagônicas, uma propugnada por muitos religiosos, outra pelos adeptos do ateísmo. A primeira acredita que Deus traça destinos e influencia tanto as vidas das criaturas que não haveria livre-arbítrio. Nesta teoria, as criaturas são marionetes de Deus, que apenas “acham” que podem escolher suas ações, quando na verdade estas são sempre causadas pelo Todo-Poderoso. Se somos controlados por Deus, que é infinitamente bom e superior, teremos uma vida perfeita. Há, nesta teoria, uma harmonia sublime no Universo.

A segunda teoria acredita que Deus não existe, e portanto o que reina são as vontades humanas. Neste teoria, não há uma força desconhecida que regeria os destinos do mundo; nada fica na “dependência” de uma vontade superior, tudo acontece em função das vontades humanas que se entrechocam e ponto final. Predomina, nesta teoria, o Caos dos acontecimentos.

Se o nosso ganhador da mega-sena é adepto da primeira teoria, sabe que ganhou porque Deus quis. Se for adepto da segunda, ganhou porque teve muita sorte. Da mesma forma, se eu acreditasse na primeira, acreditaria que encontrei meu amigo na praia da Enseada porque Deus assim desejou; se eu acreditasse na segunda, teria tido uma baita sorte.

No entanto, estou propondo uma terceira teoria, que mescle tanto a Vontade de Deus como o Livre-arbítrio dos homens. Por quê? Porque parece não fazer sentido que Deus não exista, pois as coicidências inexplicáveis da vida acabam por nos conduzir a idéia de uma força superior. Da mesma forma, parece não fazer sentido que Deus nos controle totalmente (senão, para que teria nos criado, a princípio? para brincar de marionetes?).

O ateísmo peca por desconsiderar uma força natural diferente daquelas já conhecidas. A outra peca por desconsiderar por completo a autonomia das criaturas. Uma é só o homem. Outra é só Deus.

Quero mesclar as duas teorias! Vamos ver como vai ficar:

Teoria do Livre-arbítrio Relativo dos Homens

Deus restringe o livre-arbítrio das criaturas em alguma medida, mas não de todo. Temos, desta forma, uma autonomia relativa. Deus nos dá uma margem para que possamos escolher nossas ações, anulando aquelas que “atrapalham” a sua Vontade, e deixando passar aquelas que não atrapalham a sua Vontade. Assim, temos uma harmonia constante no Universo, por mais que tenhamos nós alguma autonomia (porque, se de um lado somos variáveis que podem gerar ações desarmônicas, de outro há Deus que corrige tais desarmonias). A forma como Deus anula as vontades que não podem fazer parte do Universo é um grande mistério, mas acho que há uma gradação: quanto pior a vontade de um indivíduo, no sentido de causar um desequilíbrio grande no todo, maior será a força contrária, vinda de Deus, para anulá-la.

Por exemplo: o indivíduo, de carro, quer passar pela ponte que está prestes a ruir. Mas a Vontade de Deus é a de que ele não morra. Por mais que o motorista tente passar por lá, não conseguirá. De alguma forma, vai ser impedido. De início, uma simples intuição, “faça o outro caminho, vai ser melhor pra você”. O motorista pode optar por ignorar o aviso mental que insistentemente lhe é soprado aos ouvidos – por um colaborador espiritual, que compreende melhor a Vontade de Deus (aqui, entra o Espiritismo, mais a frente falaremos dele). Decide por ligar o som e sintoniza na rádio, cujo programa é um noticiário sobre os estragos das chuvas e a fragilidade das construções humanas (coincidência inexplicável – uma “improbabilidade” que confirma a atuação de uma Vontade Maior). Revoltado, muda de sintonia e é anunciada uma propaganda do McDonald’s. Ele pensa que seria uma boa idéia passar no McDonald’s para comer um sanduíche, mas para ir até lá deveria pegar um outro caminho e, por alguns segundos, pensa em desistir de passar pela ponte. Entretanto, lembra, revoltado e curioso, que hoje tudo parece convergir para ele não passar na ponte, e decide, só para testar “isso que eles chama de Deus”,  que vai passar lá só de raiva. Deus, tranqüilo lá em cima, deve pensar “Coitado, acha que pode me vencer”. Segundos após, o motor do carro queima inexplicavelmente, e finalmente o motorista fica impedido de realizar o seu intento.

Neste caso, estávamos considerando que a Vontade de Deus é a de que ele não morra. Ao mesmo tempo, estávamos considerando que a Vontade de Deus era a de que a ponte quebrasse.  Vocês podem perguntar por que Deus quereria que a ponte quebrasse, se é Todo Amor, mas isso é outra história (podemos, rapidamente, refletir que um amor sublime demais é, muitas vezes, incompreendido pelos homens, e que às vezes a dor e a morte vem como benefícios gigantescos para as almas em evolução, tanto as que vão como as que ficam).

Deste modo, é como se a Vontade de Deus não fosse uma só e pronta, ela está aberta a certas mudanças, a depender das escolhas das criaturas. Por que se Deus agisse de forma incisiva, sem considerar uma margem de ação para as criaturas, o homem já no início decidiria que não passaria pela ponte, e ponto final. Deus deu uma margem grande de escolhas para o homem, que tentou “testar” o acaso e foi por ele vencido. Mas, se continuássemos a história e se o homem, agora revoltadíssimo e louco, decidisse ir a pé até a ponte para suicidar-se, no setindo de continuar testando a Vontade de Deus, muito provavelmente Deus deixaria que ele morresse, para que aprendesse, no futuro, com seus próprios erros.

Ou seja: Deus leva em conta nossas escolhas, por mais que ajamos de modo idiota e infeliz. É como se fosse num tabuleiro de xadrez, onde nós jogamos de um lado e Deus de outro. Ele deixa que movimentemos as peças da maneira como desejemos, e quando é sua vez joga “para perder”, para facilitar a nossa vitória. Por mais que joguemos como um idiota, Deus jogará de modo ainda mais idiota, porque quer que descubramos, por nós mesmos, formas de comer algumas peças, de dar cheques… No nosso exemplo, houve essa gradação: o homem primeiro foi alertado pelo pensamento, mas decidiu continuar a caminho da ponte, ligando o rádio para esquecer a preocupação (Deus deu a rainha para ele comer e o imbecil mexeu o cavalo na outra ponta). Depois Deus mandou avisos subliminares pelo rádio, mas ainda sim o bobão quis continuar no mesmo caminho  (Deus abriu a região do Rei para o homem dar um cheque com o cavalo que havia mexido na jogada anterior, mas o idiota preferiu mexer com um peão na outra ponta). Daí Deus decidiu por queimar o motor do moço, que enfim não pode fazer o que queria (Deus colocou o Rei em posição ridícula, e o homem pode facilmente ver que, com o cavalo e o peão, conseguiria dar um cheque na peça, e o fez). Ele poderia, como dissemos, ir a pé até a ponte (o idiota poderia, ao invés do cheque, dar a rainha de presente para um peão de Deus, só para testá-lo) e provavelmente Deus deixaria que ele morresse (Deus comeria a rainha com o peão), para aprender a valorizar mais a oportunidade da reencarnação, da família, vivendo só numa colônia espiritual – ou num local aterrador do Umbral (ele jogaria sem rainha, para ver o tanto que é ruim).

Percebam que essa teoria só é útil, entretanto, se conseguirmos dar uma definição satisfatória para “Vontade de Deus”. E tudo nos leva a crer que esta está diretamente relacionada com a felicidade das criaturas. Deus, na minha visão, parece conspirar a nosso favor. Então, Deus dá uma margem às nossas escolhas, sendo esta margem relativa ao grau de felicidade que tal ato proporcionará a nós próprios. Aquilo que vai realmente nos trazer felicidade, Deus deixa de boa (e ainda movimenta forças para nos ajudar). Aquilo que alegra mais ou menos ou desalegra um pouco, Deus ainda deixa. Mas aquilo que vai nos trazer bastante infelicidade, Deus faz de tudo para impedir – muito embora, se persistimos naquilo, Deus deixa, para que no fim ele acabe aprendendo por conta própria.

Isso considerando o livre-arbítrio de fazer o que quiser com a gente próprio. Porque, quando se trata de fazer o que quiser com o outro, a nossa margem é menor: se queremos assassinar tal pessoa e é da Vontade de Deus que ela não morra desta forma, podemos fazer de tudo para tentar matar que não conseguiremos (alguma coisa vai sair errada). E como na maioria das vezes nossas ações influenciam os outros, sempre temos nosso livre-arbítrio cassado, num ou noutro ponto, sem percebermos. Porque, se chegarmos a conclusão de que podemos fazer tudo, voltaremos a primeira teoria do ateísmo, que desconsidera haver uma harmonia sublime no Todo. Para que haja tal harmonia, é imprescindível uma força superior que coordene o todo, por mais que os componentes deste todo, diariamente, ajam no sentido de criar desarmonias.

Esquematicamente, ficaria assim:

Os homens são as bolinhas azuis, e as setas pretas as suas opções (o seu livre-arbítrio). Algumas delas, se escolhidas, serão automaticamente anuladas por uma força contrária, as setas vermelhas, cujo motor é Deus.

Se consideramos os bons espíritos como ajudantes de Deus, que compreendem mais ou menos a Sua Vontade, ficaria assim:

As bolinhas laranjas são os espíritos do bem, que estão prontos para agirem caso os homens optem pelo caminho errado. Como compreendem a Vontade de Deus, é como se estivessem agindo movidos pelo próprio Deus, motivo pelo qual há uma seta vermelha saindo de Deus e indo até eles próprios. Entretanto, como não são perfeitos, não compreendem totalmente a Vontade de Deus, e por isso algumas setas vermelhas pontilhadas saem de Deus até os próprios homens, como a representar a força contrária, caso ajam em desconformidade com sua Vontade (naquilo que os bons espíritos não perceberam).

Bom, de início, esta é a teoria. Tentarei aprofundá-la e repará-la no que ela estiver errada (vocês, leitores, me ajudem).

A teoria explica algumas coisas, mas ainda falta muita coisa a ser considerada, e alguns pontos espíritas a serem esclarecidos.

Continua no próximo post…

Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 2)

A coincidência acontece quando dois (ou mais) fatos ocorrem ao mesmo tempo, gerando um terceiro fato que, aos nossos olhos, é espetacular/interessante/maravilhoso. Por exemplo: você vai até Guarujá e decide visitar a gigantesca praia de Enseada; lá chegando, anda um pouco sobre a areia e decide sentar-se sob a sombra de determinado guarda-sol de certo restaurante; lá sentado, observa que uma senhora gordinha que está tomando sol logo a frente lhe parece familiar; segundos depois, vê um sorriso conhecido do filho desta mulher vindo até você: é seu grande amigo de muitos anos, lá de Goiânia.

Coincidência absurda? Aconteceu comigo, ano passado (este amigo também tem um blog: O menestrel mudo).

Praia

Depois de tal acontecimento mágico, fico a pensar: tenho eu livre-arbítrio para ir aonde quiser, assim como ele. Minha tia (que viajava conosco e escolheu a praia da Enseada para passear) poderia ter escolhido outras – são tantas em Guarujá. Poderíamos ter escolhido outro lugar para sentar, bem como meu amigo. Enfim, havia tantas chances de utilizarmos o nosso livre-arbítrio para não nos encontrarmos, mas foi exatamente isto que promovemos. Um estudo de probabilidades poderia concluir que tal acontecimento é tão improvável quanto um meteoro cair em cima da Terra hoje!

Esta coincidência (e tantas outras) só nos leva a crer que existe uma força desconhecida que deve ser levada em conta nestes cálculos de possibilidades para fazê-la mais provável. Uma força que explicaria a ocorrência de fenômeno tão improvável.  Uma força que, enfim, tornasse-a provável…

Só pode ser, claro uma força inteligente. Porque uma força burra e irracional deixaria o fenômeno ainda mais improvável do que já é. Deve ser uma força inteligente, que torne o “acaso” mais provável, eliminando todas as possibilidades contrárias ao acontecimento que essa força pretende causar (no caso, o encontro de dois grandes amigos), eliminando as ocorrências que atrapalhariam ou impediriam tal fato – como, por exemplo, a minha tia escolher outra praia; ou nós entrarmos na praia Enseada pelo lado oposto (tem 5 km de extensão, se estivesse do outro lado, nunca teria encontrado meu amigo).

Essa força, então, deve ter uma abrangência enorme, porque não pode funcionar apenas como uma peça nesta fileira de acontecimentos que estão se sucedendo, ela deve “atrapalhar” um monte de acontecimentos que poderiam impedir a ocorrência do encontro entre os amigos.

Além de inteligente e abrangente, parece que ela é uma força gente boa, porque só um gente boa poderia trabalhar tanto para fazer dois amigos queridos se encontrarem no meio de uma multidão de barracas, cadeiras e gente.

Temos, então, nesta teoria, um esboço do que as pessoas chamam de Deus.

Daí, então, vem a minha grande dúvida: Deus, essa força inteligente-abrangente-genteboa (ou, em outras palavras, onipotente, onipresente e soberanamente boa e justa), para ocasionar o fenômeno do encontro de dois amigos, teve se suprimir o livre-arbítrio de muitas criaturas. Sim, porque se deixasse que cada um fizesse aquilo que lhe convinha, a probabilidade de os dois amigos se encontrarem era mínima. Poderia acontecer, mas era muito pequena.

Mas, se suprimiu, qual é a graça de vivermos?

Vivermos para sermos controlados?

Aí é que tá!

Continua no próximo post…

Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 1)

Há, aparentemente, uma contradição entre o livre-arbítrio das criaturas e a atuação de Deus em nossas vidas. Porque, se possuímos liberdade para fazer ou não fazer aquilo que quisermos, de certa forma a vontade de Deus ficaria anulada. Em outras palavras: todos os fenômenos que ocorrem em nossas vidas que, na nossa concepção, são bênçãos divinas, não teriam como causa a Vontade Divina, mas sim um produto de um monte de outras vontades humanas (escolhidas por eles próprios), que “sem querer”  teriam gerado tal fenômeno-bênção em nossas vidas.

Por exemplo, um homem ganha na mega-sena sozinho vinte milhões de reais. Para que tal fenômeno (que aos olhos dele é uma bênção de Deus) ocorresse, teve ele de jogar os seis números certos; teve as outras pessoas de jogarem os seis números errados (ou pelo menos 1 errado); teve as moças que pegam as bolinhas dos números na hora do sorteio terem parado o globo e tirado as bolas na hora certa. Basicamente, para que a bênção ocorresse, estas três causas básicas tiveram de ocorrer. Não há, nas três, aparentemente, uma Vontade Divina, mas sim a utilização do livre-arbítrio dessas criaturas.

Isto considerado de modo estrito. De modo amplo, inúmeras outras coisas tiveram de ocorrer para que, no fim, o homem tivesse ganhado na loteria, desde seus pais, que um dia tiveram de transar para que ele pudesse nascer e virar adulto e finalmente jogar na loteria. Não estou exagerando, isto é um fato: se ele não tivesse nascido, não poderia ter jogado. De modo amplo, é possível vislumbrarmos um monte de outras causas.

Vamos supor que um dos números que ele jogou foi a data de nascimento do seu filho, então, uma das causas de ter ele ganhado foi justamente o fato de sua esposa ter dado a luz neste dia específico. E para que o bebê nascesse naquele dia e não em outro, foi-se necessário que o bebê já estivesse de saco cheio da barriga da mãe naquele dia específico. E para que o bebê estivesse de saco cheio naquele dia, às vezes foi-se necessário que a mãe tivesse se alimentado bem e se cuidado bem durante sua gestação…

De modo amplo, para que a moça tenha pegado as bolas certas, pode ter sido necessário que o globo que gira as bolas tivesse girado 4 vezes e não 3, que o moço que tenha enfiado as bolas lá desde o início tenha começado enfiando a bola 30 (que no fim acabou sendo escolhida), que o globo tivesse sido confeccionado pela empresa X e não Y (que confecciona globos um pouquinho maiores – que por isso teria alterado a bola que saísse)…

Ou seja: de modo amplo, nunca conseguiríamos discriminar todas as causas que influenciaram o homem a jogar aqueles seis números, os outros a não jogarem aqueles seis números, e as moças a pegarem as bolas certas. Este aspecto caótico dos fenômenos é muito bem explicitado pela Teoria do Caos, que ficou bastante conhecida pelo filme “Efeito Borboleta”.

Mas… E se…

A moça pensava estar girando ao globo por livre vontade, quando na verdade havia uma causa influenciando-a a girar quatro e não três vezes a bola?

E se o homem ganhador achava apenas que estava escolhendo os números, quando na verdade uma causa desconhecida soprava-lhe alguns números na mente?

Ou seja: e se o livre-arbítrio nosso for, de certa forma, limitado por uma Vontade Inteligente desconhecida?

Será que há, por trás deste caos de acontecimentos, uma harmonia sublime conduzindo os fenômenos?

Continua no próximo post…