O que penso sobre religião

O que penso sobre religião?

Acho que a coisa é íntima demais.

Há corpos doutrinários interessantes, aqui ou ali.

Particularmente, gosto do Espiritismo.

Mas a religião, no seu sentido mais profundo, independe de rótulos.

Religião é:

– A noção de grandeza – e o sentimento de imensa inferioridade do indivíduo frente ao Universo (sentimento mais facilmente sentido quando encaramos um Céu estrelado, ou quando nos surpreendemos com atos nobres de pessoas que não julgávamos capazes para tanto – sabe, quando levamos uma “porrada” da vida?).

– É tentar atribuir um sentido para tudo, que é aparentemente sem sentido – e não necessariamente conseguir fazê-lo, mas só o fato de pensarmos na possibilidade de haver um sentido, isso já é religião.

– É surpreender-se com os lances da vida. Deixar-se encantar, sentir a generosidade da vida – não com bens ou coisas materiais (também pode ser, mas não naquele sentido tão mesquinho de “pagar o dízimo” e “sair-se bem sucedido num negócio”) – quero dizer sentir a generosidade da Vida, através de coisa simples, de pessoas, de fatos que não barganhamos, simplesmente a Vida nos dá. Como uma flor que vemos, bela, na calçada: generosidade, isso. Ou, para os pais, os filhos.

– É crer na sobrevivência, para além da vida, daqueles que amamos – a Morte e o Amor se enfrentam num embate terrível, dentro de nós, e algum deles tem que vencer o outro (a religião nos ajuda a dar mais força ao Amor).

– É entender que tudo só faz sentido se o que há de mais nobre no homem for valorizado: paz, alegria, fraternidade, esperança, caridade, benevolência, humildade.

Enfim.

Religião vem de religare.

E é isso mesmo: nos ligar, de novo, na Vida – para que não nos sintamo-nos desamparados, nesse mundão de Deus.

Acho um movimento saudável da criatura – embora respeite os ateus e não os entenda inferiores.

Quem somos nós, afinal?

No fim, o Mistério sempre vai haver…

A religião não desvenda o Grande Mistério, que é a própria vida.

Mas nos ajuda muito.

Sobre os dons naturais (1)

A reportagem do menino de poucos anos de idade que, inexplicavelmente, toca piano como se fosse um grande profissional, nos leva a refletir sobre algumas questões. Se acreditamos em Deus (acho que a maioria dos leitores acreditam), e se Ele/Ela é sinônimo de amor (como também acho que todos assim compreendem), não poderia agir injustamente com as suas criaturas. Entretanto, como explicar o nascimento dessas criaturazinhas fantásticas, talentosíssimas, se comparadas ao nível médio da humanidade? Como explicar gênios como Einstein, Mozart, craques como Pelé, pessoas tão amoráveis e santas como Madre Tereza de Calcutá ou Francisco de Assis? Deus estaria sendo injusto, nestes casos, porque estaria criando filhos mais perfeitos que outros.

Mas Deus não pode ser injusto, sob pena de não representar o amor na sua plenitude. A razã0 (fé raciocinada) nos leva a crer que Deus assim não agiria. Tais talentos, então, só podem ser explicados pela reencarnação. Deus cria todos iguais, e as criaturas, pelo livre-arbítrio, escolhem percorrer tais ou quais caminhos, aprender ali ou aqui e, através da perseverança, vão evoluindo, adquirindo novas habilidades, novos valores, vão moldando o seu caráter. Esse processo se dá em várias vidas. De modo que, quando nasce uma criança hoje, ela já é muito velha, tem milhões de anos, e guarda dentro de si toda a bagagem das vidas passadas. Explica-se, assim, a habilidade nata no piano que a criança tem, por exemplo. Explica-se, igualmente, essas diferenças discrepantes que às vezes encontramos no caráter de dois irmãos gêmeos (que, olha só, possuem material genético idêntico).

Então, tudo nos leva a crer que a reencarnação deve existir.

Mas a partir do momento em que acreditamos nela, temos de responder algumas indagações naturais. Por que não lembramos nitidamente de nossas vidas passadas? Por que há este véu do esquecimento?

Se Deus assim quis, é porque há um bom motivo, já que ele representa o amor e a justiça. Vamos começar assim nossa reflexão. Se há um bom motivo, podemos raciocinar (fé raciocinada) para encontrá-lo. Você, leitor, mesmo que não acredite em reencarnação, poderia dar algum palpite?

Vou parar por aqui. Vou deixar o leitor pensando…

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Chrystian, eu ia comentar, mas preferi um novo post. 🙂

Vá pensando aí. Vamos chegar a uma resposta juntos…

26º Congresso Espírita do Estado de Goiás

Estou participando pela segunda vez do Congresso Espírita do Estado de Goiás, e estou adorando. Acontece sempre durante o carnaval. Este ano, os palestrantes são de um nível excepcional, que dificilmente encontro em palestras e congressos no âmbito jurídico, por exemplo. Abaixo, algums trechos interessantes das palestras, que lembrei e anotei.

Folder do Congresso – XXVI Congresso Espírita do Estado de Goiás0001

Acompanhe as palestras ao vivo pelo site http://www.tvcei.com/portal/index.php/aovivo/canal14

Seminário “Minha paz vos deixo…”, de Simão Pedro

“Qual é a causa da violência? Os estudos apontam três grandes causas: miséria e pobreza; baixo índice educacional; carência de políticas públicas eficazes.

Entretanto, refletindo sobre estas três hipóteses, podemos questioná-las da seguinte forma: se a miséria e a pobreza fossem as causas da violência, necessariamente todo miserável e todo pobre deveria praticá-la. E não é isso que vemos. Há pessoas pobres de uma paz indefiníveis. Pessoas que, apesar das condições deploráveis de existência, são amáveis, equilibradas, confiantes em Deus. Podemos considerar que a miséria é um fator que predispõe à violência, pelas condições desumanas de vida que impõe às pessoas, mas não são verdadeiramente a causa da violência. Tampouco o baixo índice educacional seria uma causa, porque senão todo analfabeto teria de ser violento, e todo instruído não, e temos exemplos que contrariam ambas as afirmativas. O mesmo raciocínio se aplicam as políticas públicas, que apesar de reduzirem drasticamente o nível de violência dos países, não erradica a violência dos corações de muitas almas.

Qual é, portanto, a causa da violência?

A violência é uma decisão. É uma escolha íntima, individual. A causa está dentro das pessoas, e não fora delas. As pessoas decidem ser violentas, por este ou aquele motivo.”

“A paz não pode ser confundida com aquela preguiça rançosa, de quem não tem problemas. A paz é estado íntimo d’alma, fruto também de uma escolha pessoal, que não retira do mundo os problemas vários, mas dá ao indivíduo a tranquilidade necessária para a resolução de todos eles. Jesus disse “Deixo-vos a Minha Paz, a minha Paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.” Quis ele explicar que sua paz não é a paz que o mundo dá. A paz do mundo é essa tranquilidade paradisíaca, daqueles que nada tem a fazer senão curtir seu ócio. Essa é paz estereotipada, uma falsa paz. A paz do Cristo é atitude interna de equilíbrio, diante das mais diversas problemáticas exteriores.”

“Há diferença entre ser pacífico e pacificador. O homem pacífico evita as reações violentas. Evita contrariar. Não é motivo de discórdia ou desarmonia.  Já conseguiu sublimar todas aquelas respostas instintivas, animalescas, de ódio, raiva, intolerância. É manso. O pacífico é o homem manso, que tem, de acordo com a bem-aventurança do Cristo, a herança da Terra. ‘Bem-aventurados os mansos, pois herdarão a Terra’. Poderá continuar aqui após a transformação do mundo (que sai da categoria provas e expiações e passa a categoria regeneração). Não serão expulsos do orbe terrestre, para outros mundos menos evoluídos. Não causam problemas para os outros e complicações cármicas para si. Começaram, já, a jornada do auto-descobrimento, mas ainda são muito tímidos.

Já o homem pacificador é aquele ativo, que atua para a promoção da paz. É mais que o pacífico. Já sublimou as reações instintivas, mas colabora para a mansuetude dos semelhantes, mediante ações incisivas em várias áreas da existência humana. Começaram a mais tempo a jornada da descoberta íntima, pois que estão mais alinhados ao clima de serviço a que a consciência lhes chama. São os vanguardistas de todos os tempos; são os trabalhadores incansáveis, estrelas e anônimos. Nem sempre agradam a todos – costumam, de fato, contrariar a muitos – mas não são violentos. Contrariam porque pregam valores morais, que chocam os interesses do ego dos homens ignorantes. Os pacificadores serão chamados filhos de Deus, conforme a enunciação de Jesus ‘Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus’. Pois que Deus é o Grande Pacificador, o inexorável trabalhador pela Paz dos mundos. Toda criatura que seja pacificadora está agindo como Ele e, deste modo, pode ser considerado verdadeiramente como seu filho.”

Seminário “Apocalipse: mitos e verdades”, de Haroldo Dias

“Toda profecia que prevê catástrofes e destruições são preditas para não serem cumpridas. Isto é importantíssimo para o estudo não só do Apocalipse, livro profético de João, como também qualquer outro que se queira estudar (Daniel, Nostradamus). As profecias são reveladas por espíritos muito evoluídos, com a intenção de que os homens alertem-se para as possíveis catástrofes futuras, e procurem agora melhorarem-se internamente, no sentido de progredirem moralmente para que Deus não precise recorrer do instrumento da dor para promover a evolução humana.

Isto porque Deus é amor, e sua Justiça compõe-se de muita Misericórdia. Deus não quer a dor, e busca fazer de tudo para que ela não seja necessária aos homens. Deus é tão amoroso que considera relevante todas as nossas míseras e pequenas ações de bem, para contrabalançar nossos erros. Como exemplo, podemos citar o caso de um homem que, por ter tratado mal seus escravos, em existência anterior, reencarnou com a sina de ter de perder seu braço, quando entrasse a maioridade. Então, voltou a vida, mas quando jovem ingressou num grupo religioso de ajuda ao próximo e descobriu o quão podia ser útil ao seu semelhante. Chegada a hora do resgate cármico, perdeu apenas um dedo. A Misericórdia e o Amor são componentes da Justiça divina. A Justiça divina não está preocupada em arrancar braços, mas em transformar espíritos.”

“De acordo com Emmanuel, para serem analisadas profecias, temos de primeiro meditar sobre a parábola de Jonas. Jonas recebeu de um anjo a profecia de que determinada cidade iria ser aniquilada por inúmeras catástrofes, caso a população dela não se arrependesse. Jonas, animado com o fato de ser emissário do céu, e mesquinhamente interessado em promover revelações bombásticas e cruéis, encarapitou-se como um poderoso profeta, subiu ao altar da cidade e anunciou as grandes catástrofes para aquele povo, intimamente feliz pelo poder que detinha. Quase esqueceu de mencionar que elas não ocorreriam caso as pessoas de lá se arrependessem.

Resultado: no dia esperado para as intempéries, Jonas procurou um bom lugar no alto de um morro, sob a sombra fresca de uma mamona, para assistir a destruição. Mas ela não veio, porque as pessoas de lá se arrependeram, procurando mudar os rumos de suas existências. Jonas estava desnorteado. Para piorar, Deus mandou muitas formigas comerem as folhas da mamona, que o deixaram ao sabor do sol quente daquelas paragens. Aquilo foi a gota d’água. Revoltado, bradou a Deus pelas injustiças que estava cometendo, dilapidando o caráter público do profeta e ainda por cima tirando dele o seu conforto sob a sombra da mamona. Deus respondeu: ‘Jonas, tu estás triste pela mamona comida pelas formigas, mas não se alegra por ter eu liberado teus irmãos de tanto sofrimento?’

A parábola termina aí, deixando-nos ensinamentos importantes, no que se refere a profecias. Primeiro: não há uma determinação inexorável de alguma profecia. Sempre haverá a possibilidade de os homens, através do livre-arbítrio, evitarem tragédias. Segundo, devemos parar de uma vez por todas com essa mística construída em cima de profecias, como se fossem figuras belas e encantadoras, por mais trágica que seja para as pessoas. Deus ama a todos, e faz de tudo por todos.”

“Judas não teria necessariamente de trair Jesus. A Espiritualidade Superior nunca programa nossas encarnações para que façamos o mal. Para que erremos. Nossos programas sempre esperam nossos acertos. Entretanto, como essa Espiritualidade nos conhece de cabo a rabo, sabe mais ou menos o que vamos fazer e deixar de fazer, como erraremos, quais são as probabilidades. E mesmo que sejam mínimas os cálculos probabilísticos para que acertemos, eles depositam em nós esperanças, até o último momento. Prova é que Judas, ao aproximar-se de Jesus para o beijo que selaria a traição, foi interpelado pelo Mestre, que tenta sensibilizá-lo, indagando “Judas, com um beijo trais o Filho do homem?”.”

Equilíbrio Mental

Como é importante, meus queridos amigos leitores, o equilíbrio mental ao longo do dia. Não sei se com vocês é assim, mas comigo é tão difícil conseguir manter um equilíbrio de pensamentos, uma paz na casa mental, durante o dia todo! Teria de ser assim. Entretanto, sem motivo aparente, muitas vezes estou em clima de desânimo, de raiva com todos, de pressão psíquica para ofender, de sensibilidade boba para com qualquer frase menos feliz dos outros. Isso acontece comigo, várias vezes, sem que eu encontre alguma razão que justificaria esses estados mentais (alguma preocupação, alguma ofensa).  E isso me prejudica tanto nos relacionamentos humanos (porque não consigo ser quem eu sou verdadeiramente), e nos deveres que tenho de cumprir ao longo do dia.

Temos, por isso, de manter a vigilância nos pensamentos. Vigilância constante! Não basta orar. Temos de vigiar, para não nos pegarmos fazendo e agindo de modo totalmente contrário ao que acreditamos e pregamos. Para não ofendermos as pessoas. Para não nos culparmos depois.

Isso porque o Espiritismo nos revela um segredinho: muitas vezes somos induzidos a determinados comportamentos, por influenciação de espíritos menos felizes, que se ligam a nós por um motivo ou outro e esperam que sintonizemos com seu estado mental. Invariavelmente, sintonizamos! Não vigiamos direito, e por isso, à simples aproximação de um irmão desencarnado mais raivoso, tornamo-nos mais raivoso; a simples presença de um espírito mais apegado ao sexo faz que pensemos nisso constantemente…

Vigiar, gente! Mudar o rumo dos pensamentos. Sermos senhores de nós próprios. Vejam, que por mais que sejamos influenciados, o simples fato de o sermos já mostra a nossa culpa: estamos deixando. Porque toda influência pressupõe uma abertura por parte do influenciado. É, ou não é? A culpa não é dos espíritos. A culpa não é do “Diabo ou os demônios”. A culpa é nossa, por nossa invigilância. Eles escolheram agir assim. Nós podemos escolher agir de outra forma. Temos de lembrar, antes de qualquer pensamento menos feliz, se ele é ou não proveniente de nós próprios. Se sim, trabalhar para a reciclagem de pensamentos, melhorando também nossas ações. Se não, ficar atento e fortalecer nossas defesas mentais. Igualmente, também, trabalhar pela melhoria interna, porque se houve sugestão de pensamentos por parte de uma entidade desencarnada e ela ecoou na nossa acústica mental tal como se nós tivéssemos pensado, é porque estamos, de alguma forma, permitindo tal influenciação (e até aprovando-a, muitas vezes).

Vou abrir um parênteses e dizer: a verdade do mundo espiritual é inquestionável, para aquele que estude um pouquinho acerca da mediunidade. Digo isso para os leitores céticos que porventura achem que estou pirando. Estudem a mediunidade, procurem saber um pouco mais, leiam “O Livro dos Médiuns” de Allan Kardec. Há comunidades inteiras de espíritos, que nada mais são que pessoas desencarnadas. Elas vivem em lugares que satisfazem ao seu tipo e as suas necessidades. Os mais lúcidos já procuram trabalhar para a melhora íntima, e habitam colônias espirituais organizadas, acima da crosta terrestre. Ingressam em grupos de apoio, de estudo, já programam novas encarnações. Os mais apegados à matéria e as sensações permanecem perambulando pela Terra. E há submundos terríveis por debaixo da crosta, composto por legiões de espíritos perversos (profundamente ignorantes), com líderes inteligentes, dignos de pena para aqueles que o olham com sensibilidade.

É importante, leitores, que saibam disso, principalmente porque estamos adentrando o Carnaval, e este é um período de intensa movimentação do plano espiritual, pelo convite ao extravasamento das sensações, do sexo desegrado e das bebidas alcoólicas que os seres humanos encarnados tanto apreciam. Incontáveis entidades nesta faixa vibratória se deleitam nessa “orgia nacional”, incentivando-a. É uma loucura, parece que todos nós nos sentimos no direito de cairmos na mais pura animalidade, esquecendo todas as nossas conquistas nobres de muitos séculos, como a família, o trabalho digno, a sensibilidade que já adquirimos. Procuremos permear nossas festividades carnavalescas com atividades mais nobres. Leiam alguma coisa, participem do Congresso Espírita de Goiás, um dos maiores eventos espíritas do mundo; participem das festividades de sua Igreja; procurem algum trabalho voluntário; aproveitem para descansar, passear pelo bosque, estar junto aos familiares.

Sei lá. Temos de fazer de tudo para reformarmos o nosso interior. Para sermos pessoas melhores. E essa reforma não se dá apenas nas ações, mas também nos pensamentos. Na casa mental. Na psique. Cabeça faxinada, coração pronto para a ação dignificante! Façam esse exercício. Procurem avaliar o estado mental de vocês constantemente. Procurem analisar o teor dos seus pensamentos. Lembrem-se de perceber, com agilidade e sagacidade, qual a origem desses pensamentos. São seus, verdadeiramente? Você pensaria nisso? Ou melhor: você quer continuar pensando assim? Quer continuar levando-se por esses estados mentais de tédio, de desânimo, de sexo, de raiva?

Escolha seu caminho, meu chapa. 🙂

Graças a Deus, temos o livre-arbítrio.

Saibamos escolher bem, sempre.

Tempo perdido

Sinto que pulei muitas aulas. Que não aproveitei as encarnações passadas da melhor maneira. Sempre, estiveram permeadas por gozos inúteis e ócios não produtivos. Não sou um conhecedor de minhas vidas passadas, mas sinto que foi assim. Cada encarnação é preparada divinamente para que conquistemos, às vezes, apenas um sentimento, ou certas habilidades. Uma vez, é o aprendizado da paciência. Outra, do trabalho. Outra, da alegria. Às vezes temos a oportunidade de liderar e entrar na política. Outras, no campo da licenciatura. Algumas outras, viemos para ser simples homens de trabalho braçal, para acumularmos esse conhecimento tão precioso que é o do lidar com pequenos mecanismos lógicos manuais (mas, principalmente, ganhar humildade e resignação frente aos “patrões”, aos “grandes homens”).

Sinto-me como um aluno que aproveitou mal muitas aulas.

Avaliando tudo o que hoje escolhi para fazer, percebo o quanto sou inábil para muita coisa. Minha percepção acerca das trocas humanas, do dinheiro, das negociações, da habilidade com burocracias, é realmente péssima. Deus, em vidas passadas, provavelmente me concedera algum pequeno armazém ou uma empresa de médio porte para conduzi-la, mas acho que aproveitei tal encarnação para deliciar-me com sexo fácil, ócio, preguiça, acabando na penúria e prejudicando muita gente. Talvez tenha aprendido alguma coisa de música ou teatro, mas pouco (nisso, até que guardo um certo conhecimento, pois que tenho facilidade com piano e certa desinibição para interpretar personagens). Mas essa interação humana, essa postura de negociador, tão imprescindível para a condução sábia de uma instituição de caridade, por exemplo (porque, mesmo as creches ou abrigos não prescindem de bons administradores), me falta completamente. Fugi das conversas edificantes, da labuta boa junto com outros labutadores.

A minha grande timidez em relação as conversações humanas, a minha inabilidade para com as relações dos homens, me indica que num passado longínquo fui nobre, dedicado apenas aos desfrutes dessas coisas boas da vida, e por ser rico, esqueci do trabalho árduo, das relações sinceras de amizade. Poderia, ali, ter aprendido muito sobre política, sobre o fornecimento de emprego e boas condições para os empregadores, mas pensava só nas minhas loucuras de ocioso, de lascivo. E aprendi alguma coisa de dança ali (sim senhores, até que danço bem!), de fingir postura nobre, elegante, mas muito pouco sobre relação humana, sobre sinceridade…

Sei que prejudiquei muita gente por ter sido um orador religioso, numa vida passada. Talvez, por isso, a minha dificuldade imensa de aceitar, hoje, aqueles que falam sobre o Cristo de modo totalitário, parcial e fanatizado. Detesto quando pronunciam o nome de Deus e ditam ordens como se soubessem o que é certo e errado, e como se pudessem, sendo homens falíveis, mostrarem-se infalíveis somente por estarem no púlpito. Este sentimento, ao invés de revelar alguma pureza ou iluminação minha acerca do religioso, denota, ao revés, a minha dificuldade de aceitar a ignorância que, outro dia, eu também tinha (ainda tenho, quando me pego falando de Espiritismo para amigos e familiares meus). Sim, porque, de outro modo, não me importaria tanto com eles. Aliás, toda manifestação de ignorância e brutalidade em opiniões me dá ânsia, não consigo lidar direito com isso, e tendo a responder com a mesma brutalidade.

Graças a Deus, não sou um ser humano violento, agressivo. Já tenho certa evolução no campo da moralidade: paciência, benevolência, boa vontade principalmente. Cuidado, carinho. Claro, não sou muita coisa, mas, pelo menos, tenho vontade de mudar, de ser cada vez melhor. Se machuco meus companheiros de jornada, não é deliberadamente que o faço. Isto já é muito bom. Muita coisa, eu sinto que aprendi em encarnações de muita dor, doença e penúria. Valeu a pena. Algumas pessoinhas queridas de outros tempos, que nos sustentaram e sempre tentaram nos levar para o bom caminho, como mães dedicadas, pais bondosos, padres verdadeiros, são hoje os anjos que nos dirigem de modo mais próximo. Eu já construo amizades verdadeiras e já sou trabalhador no bem (tosco, mas insistente).

Falta-me muita coisa, infelizmente. O que me deixa triste é perceber o tanto de serviço que tenho para fazer (oportunidades de trabalhos de caridade, oportunidades diversas de faculdade, estágio, comissão de formatura, oportunidades de relacionamento humano), e o quanto sou inábil para tanta coisa, seja na técnica ou no campo do sentimento. Tenho certeza de que, se tivesse aproveitado bem as outras vidas, estaria com bem menos dificuldades.

Infelizmente, não podemos modificar o nosso passado. O que podemos fazer é modificar o futuro, através da conduta certa aqui no presente. Tenho em mim uma esperança no meu futuro. Acho que é o toque de carinho dos nossos maiores, que percebo e guardo. Somos pequeninos, viajantes desvairados de outros tempos, mas temos muita gente que acredita em nós (por mais que a gente mesmo desista de acreditar na gente). Fomos resgatados de furnas terríveis, regiões lamacentas do plano espiritual, por espíritos mais sábios que nós, mais sinceros no amor, há muitos anos já. Que compartilharam conosco experiências, que às vezes eram da nossa casa, mas que foram tomando rumos diferentes, mais espiritualizados. Hoje, são nossos mentores queridos, que nos conduzem e nos amam profundamente, e pelejam para que não saiamos do caminho reto.

Este é o meu desabafo. Não sei se os leitores partilham desta mesma tristeza minha, e ao mesmo tempo da alegria e fé. Na verdade, não sei nem se acreditam nisso que leram. O fato é, meus queridos, que temos de aproveitar bem essa vida. Não sou a pessoa ideal para dar conselhos, mas acho que desperdiçamos muitas oportunidades boas que nos aparecem, e esquecemos também de valorizar nossos pais, familiares e amigos. Viver intensamente, sabiamente, corajosamente, dando o melhor de nós, importando-nos mais com causas que transcendem as nossas necessidades egoísticas. Lutar por um mundo melhor. Sermos profissionais que saibam transformar o mundo. Há muito sofrimento e já ficamos parados demais.

É o melhor que podemos fazer, para que não cheguemos ao fim da vida sem esse terrível sentimento de “tempo perdido” que eu, jovem de 19 anos, já estou tendo. Os jovens “velhos”, que compartilham comigo deste sentimento de frustração, mesmo sem saberem ao certo o porquê, me entendem. Arregacemos as mangas para o trabalho, estudo, bom relacionamento, para esse sentimento de tristeza não tome nossos corações. E uma dica, para finalizar o texto: dediquem duas horas na semana em algum trabalho de caridade que mais tenham afinidade (crianças de creche, de orfanato; idosos em abrigos; jovens em mocidades; visita a presídios; sopão para mendigos; visita a hospitais para diálogo franco, ou para vestirem de palhaços…).

Para complementar a discussão acerca do livre-arbítrio dos homens

Controle e Destino – um Breve Ensaio (*).

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

(Compelido por Eugênia ao computador, às 15 para as 4 da manhã desta quinta-feira, primeiro de julho, a fim de digitar o que não saberia, despejou-me a sábia mentora espiritual, em fluxo mental que mal podia acompanhar (e tenho antiga e boa prática ao computador), as palavras que se seguem:)

As humanas criaturas padecem de uma curiosa ilusão: supõem-se senhoras absolutas de seus destinos. Não é outro o motivo de seu sofrimento: por esperarem que as coisas aconteçam de seu modo e, é lógico, elas não acontecem, frustram-se – findam-se infelizes. Não pretenda controlar seu destino. Observe como os acontecimentos vêm e vão, flutuando como bolhas de sabão no ar, a espocarem, fugazes. Preste atenção às forças do momento e tente encontrar, nelas, a voz da eternidade. No imo de cada circunstância, perceberá a voz de Deus a lhe segredar verdades fundamentais para você. Atente-se e notará. Pela voz da paz, da bem-aventurança, da plenitude, você facilmente distinguirá a verdade da impostura, a aparência da essência, o sentimento da sensação.
Você é, hoje, instrumento de forças ocultas, que desconhece. As forças do destino, como agentes profundos e complexos de significado e destino, mobilizam eventos, articulam acontecimentos, fazem as coisas surgirem, como que por acaso, das dobras do tempo. Sem notar, você é conduzido e amoldado, por inteligências ocultas, que argamassam seu crescimento, favorecendo seu processo de construção para as alturas.
Eu sei: como ser humano, você duvida de tudo isso – pode duvidar. Pouco importa. A alçada do livre-arbítrio humano é muito maior do que ele gostaria de supor, tanto quanto a extensão de seu poder de influenciar a realidade externa, idem. Mas, se preferir despertar para a verdade, pare de se angustiar tanto pelo dia de amanhã, como disse Jesus, e trate de viver plenamente o agora. Não no sentido de se descuidar de planejamentos e compromissos a longo e médio prazo, mas no sentido de prestar atenção aos fluxos do momento, carregados da Divina Presença que, como reza o paradigma holográfico, o mais avançado modelo de representação da realidade, Deus, como a Grande Totalidade, está em cada parte, assim como asseveravam antigas tradições espirituais humanas, que afirmavam o mesmo, a partir de uma perspectiva meramente mística e filosófica.
Você é conduzido pela Divina Sabedoria, e deveria, assim, tranqÜilizar-se e relaxar completamente. Afinal de contas, além de infinita inteligência, Deus também é infinita bondade. Portanto, por que o motivo da preocupação? Para os aficcionados em controle, a resposta é entregar-se, e confiar… em Deus.
Pare de questionar as sinuosidades do destino. Assim como afirma a teoria do caos, é por meio da desordem aparente que uma ordem mais profunda, em nível mais elevado de complexidade, pode se estabelecer. Somente a confusão amadurece e propele à transcendência. Não seja desordeiro, é óbvio, mas não fuja da desordem inevitável – aquela atrelado ao processo de aprendizado – ou pagará um preço pesadíssimo não só de desordem ainda maior, como, principalmente, de sofrimento e vazio.