Teoria da Felicidade – Por que as crianças são felizes?

Acho que, para buscarmos a felicidade, temos de aprender com as crianças. Por que são elas tão alegres e risonhas?

É preciso refletir bastante para conseguirmos compreender as crianças. São alegres, divertidas, mas também choronas, briguentas. Na verdade, elas são bastante emocionais, no sentido de não conter nada do que sentem. A grande maioria delas é assim. E não fazem isso de forma deliberada, o fato é que parecem ainda não terem adquirido aquela racionalidade que vamos conquistando a medida em que crescemos, racionalidade essa que opera no sentido de bloquear, quando queremos ou é conveniente, nossas verdadeiras sensações e sentimentos.

A criança não sabe fingir, não sabe esconder seu mundo íntimo. Acho que aí reside toda a diferença. Não sabe dizer “Nossa, que lindo esse presente, adorei!”, quando ganha roupa ao invés de brinquedo. Não respeita o pudor daqueles que não gostam de carinho, abraçando e sorrindo a qualquer um que ela goste. Por isso as crianças correram e se aproximaram de Jesus antes de seus pais. Queriam demonstrar carinho, amor, àquele moço sorridente. Jesus as recebeu com muita alegria. Os pais vieram correndo, aflitos, pensando “Meu Deus, meu filho vai incomodar o Messias” ou “Que desavergonhada, minha menina, vai irritar o Messias”. Jesus, entretanto, disse: “Deixe que elas venham até mim”.

O que significa dizer que a espontaneidade, a transparência dos nossos sentimentos, vai nos fazer chegar até Cristo (o nosso Cristo interno, ou seja, o nosso eu mais belo, sublime  e feliz). As convenções, regras de etiqueta, regras do “certo” e “errado”, “pode” e “não pode”, tem o condão de estabilizar a naturalidade das pessoas. Nós adultos temos receio de não agradar os outros, de estar agindo de forma errada, temos medo de dizer daquilo que gostamos e não gostamos. Quando criança, não éramos assim.

Temos de reaprender a sermos crianças. Claro que, como adultos, as coisas mudam um pouco. As crianças são transparentes porque não sabem ser de outro jeito (a própria estrutura cerebal, ainda fragil e em formação, não deve pertmiri isso). Agora, somos já bem conscientes, e temos de escolher conscientemente essa transparência. Isso não significa que devamos magoar os outros com nossa completa liberdade de ser. Ainda nos será permitido, sempre, a mentira carinhosa, a boa omissão. Além disso, para a nossa própria preservação, devemos, muitas vezes, esconder algumas coisas.

Temos, sim, de estar com a consciência tranquila, fazendo aquilo que nosso coração manda, sabendo que não estamos, assim, agindo de nenhuma forma errada (porque do coração nunca vem nada de ruim). Podem alguns não gostar, podemos ser mal vistos por outros, incompreendidos, mas temos, como as crianças, de ser coerentes conosco próprio. As crianças aproximaram-se de Jesus, sabendo que isso era a coisa certa a ser feita. Devemos ser assim, tão claros nos nossos objetivos e metas, quanto elas.

Perdemos muito quando passamos a refletir em demasia e a querer nos amoldar para sermos aquilo que não somos. Vamos fazendo as pessoas acenarem positivamente com a cabeça, mas desencontrando a nós próprios, nos perdendo de vista. Temos de olhar para dentro de nós, dizer “Isso eu gosto muito” ou “Isso eu não gosto”. Assim, vamos buscando a nós próprios.

Muitas outras coisas podemos aprender com as crianças (como o perdão instantâneo que elas tem, quando por exemplo brigam entre si e segundos depois estão brincando alegres), mas falemos disso depois…

Indo contra o fluxo

“A Divina Providência, muitas vezes, dificulta o fluxo de certas ocorrências desejadas por Suas criaturas não porque pretenda bloquear-lhes a felicidade, mas justamente pela inversa razão, já que, com o atraso provocado, permite que a gestação de acontecimentos muito melhores seja levada até o fim, a incubação perfeita de processos que demandam mais tempo, para serem devidamente elaborados.

Portanto, em se sentindo pressionado, numa “encruzilhada” da existência, considere que o Criador pode lhe estar fazendo esperar justamente para galardoá-lo com um acontecimento muito melhor do que aquele que você deseja receber agora, mas que, talvez, ainda que não possa perceber de pronto, não seja mesmo o ideal para sua felicidade.” Eugênia

de http://www.saltoquantico.com.br/2004/12/23/termodinamica-da-vida/

Teoria da Felicidade – Reaprender a ser pequeno

Quando a gente reaprende a ser pequeno, a gente fica mais feliz.

No início, somos tão frágeis que só sabemos chorar, gritando por comida, por carinho. Não sabemos andar, nem falar, nem escrever. Pra tudo isso dependemos dos outros.

Daí, vamos crescendo, e criamos a ilusão da autosuficiência. Não sabemos mais pedir ajuda. Dizer “não entendi” já não é tão fácil como antigamente.Temos vergonha de nossas fraquezas. Escondemos nossas necessidades dos outros. Parece que a gente esquece de tudo isso que passamos! Nem queremos lembrar, acho. Agora somos gente grande. Não podemos errar. Não podemos ser mais dependentes.

Que mal há em ser pequeno!?

Vamos, todos, voltar os olhos para dentro de nós. Sermos sinceros conosco próprio! Levarmo-nos menos a sério! Alegrarmo-nos com as coisas que em nós consideramos mais ridículas! Isso não significa rebaixar-nos. Nós já estamos lá em baixo. Significa rebaixar a idéia que temos de nós próprios, que está lá no alto, quase pegando vôo…

Vamos rir da nossa pequenez! Todo muito faz cocô! Todo mundo peida! Todo mundo gosta de carinho na nuca. No escuro, arrepia os pêlos, de medo. Quando a coisa aperta, reza pra todos os santos. E quando dói demais, chama a mãe, bem baixinho (pra ninguém ouvir…). Porque todo mundo teve ou tem mãe, pai. Teve infância, foi bebê. Todos um dia vão morrer, gente, os mais fortes e poderosos pararam lá, debaixo da terra. Todos, mesmo os mais corajosos, já tiveram medo (mesmo que seja segredo!). Então não tem vergonha, nem pudor, nem vaidade, porque a gente é pequeno mesmo! Quando, por exemplo, a natureza ruge, a gente vê o tanto que é pequeno. Quando uma doença nos bota na cama, a gente vê o tanto que é frágil. Quando um familiar muito querido nosso morre, a gente vê o quanto dependemos das pessoas.

Então, se a gente não entender isso, a gente vai ser muito infeliz.

Higiene Mental

A nossa mente não é mais um compartimento de nosso corpo: é o único. Reflitam: aonde estamos? Nos pés? Nas pernas? No órgão genital? No estômago? Em nenhum deles. Fazem parte de nós, mas não somos nós, ali. Na verdade, estamos localizados na nossa própria mente. Dentro da cabeça, que seja; mas não estamos no cérebro, tal qual o ratinho do “MIB – Homens de Preto”, comandando de dentro do compartimento do cérebro a máquina do corpo. Reduzir-nos ao cérebro e chamarmos a nós próprios de criaturas gosmentas e beje-esbranquiçadas, porque isto é o nosso cérebro.

A mente parece ser maior que o próprio cérebro. E não parece ser definida por algum órgão, ou qualquer coisa que contenha células. Isto porque nossos pensamentos são dotados dessa “imaterialidade”, não são propriamente tangíveis, tratáveis, visíveis. Nós não podemos ser cassados, matados, porque nada no mundo pode deter a nossa individualidade.

Percebam que essa idéia, sozinha, já nos leva a crer no espírito, entidade imaterial enclausurada no corpo material, que sobrevive a morte dele. Mas isto é outra história. O que quero falar aqui, neste post, é sobre a higiene mental. Se somos, mais do que tudo, aquilo que pensamos, então termos higiene da mente é fator importantíssimo para a nossa vida saudável. Mantê-la limpa é banhar a nós próprios! Porque o corpo é parte nossa; já a mente somos nós.

Quais pensamentos nos deixam sujos, na opinião de vocês? Na minha opinião, todos aqueles que, de alguma forma, trazem (ou poderiam trazer, caso fossem exteriorizados), infelicidade para outros e para si próprio. Exemplo: maledicência mental. Julgar as pessoas na mente, de forma bem maliciosa e pouco justa. A pessoa com esse teor de pensamentos está suja, precisa limpar-se. Neste caso, esse movimento de julgar os outros está impedindo que ela olhe para si própria, para analisar o que precisa para ser verdadeiramente feliz. A sujeira mental esconde dessa pessoa as suas próprias deficiências. E quem não conhece a si próprio, não pode ser feliz.

Outro exemplo são os pensamentos infelizes de tédio, desânimo, falta de motivação para viver. A pessoa está se sujando por dentro, porque deliberadamente escolhe a pior parte de tudo e de todos. Acredita que sua visão míope é dotada de clara verdade. Esqueceu-se da beleza em si próprio e da beleza dos outros.

Volto a frisar: temos de buscar a felicidade. E ninguém é feliz se não entender a si próprio, este arcabouço mental que somos nós – cheios de conceitos, pré-conceitos, ideais, criatividade e emoções. Para alcançar a felicidade, temos de conhecer  nossa mente. Se ela anda suja, temos de descobrir porque a sujamos. A causa, sempre, de toda sujeira mental, parece ser o egoísmo.

Duvidam? Reflitam comigo. O amor, se formos pensar filosoficamente, é o preocuparmos mais com o outro que conosco próprio. O egoísmo, ao contrário, é o preocupar conosco mais que com os outros. Ele produz todas as fezes psíquicas. A maledicência, dita acima, nada mais é que o egoísmo da presunção de superioridade. A pessoa sente que pode criticar as outras porque acha que ela própria não apresenta os defeitos que aponta; a melancolia é o egoísmo de achar que o mundo gira ao redor de si, esquecendo das inúmeras dores alheias, muitas vezes maiores, que os outros tem de suportar. Falta o link do amor. Se, no primeiro caso, a pessoa entendesse como é ruim ser maldito, e entendesse que ela própria não é uma santa, trabalharia para melhorar-se, e trataria os outros com mais respeito e carinho. Se, no segundo, a pessoa se dispusesse a ajudar as outras em suas dores, seria inclinado a dar o que há de melhor dentro de si, e redescobriria a sua capacidade de amar e ser feliz.

Curiosamente, esse texto meu, que aborda alguns conceitos da psicologia (embora eu próprio não conheça-os muito bem), acaba adentrando à doutrina de Jesus Cristo, que propõe o amor como sentimento único à felicidade. Acho bonito essa sagacidade de Jesus, porque há dois mil anos cria um roteiro de felicidade que, até hoje, a ciência periclita em moldá-lo – embora, aqui ou ali, como vemos, tem acertado.

Bom, é isso. Concluindo as minhas idéias, acho que devemos também procurar sempre ler, ouvir, conversar e ver coisas que possam causar impactos agradáveis na nossa casa mental. Se tivéssemos uma autonomia, um domínio da mente, para bloquear as iniciativas do pensamento, não precisaríamos selecionar essas coisas, nada nos afetaria. No entanto, na maioria das vezes, não controlamos a criação dos pensamentos. E as coisas de fora estimulam-nos a criações nem sempre saudáveis. E o pior de tudo: quase não damos conta disso. Uma televisão barulhenta, deliberadamente escolhida por nós para ser assistida, produz uma sensação interior de revolta que nem percebemos. Basta desligar o aparelho para, então, pensarmos: “Nossa, como tudo está calmo e em paz. Como essa tv estava perturbando meus ouvidos!”. Então, temos de saber escolher essas coisas também.

Teoria da Felicidade – As pessoas mais irritantes nos possibilitam a descoberta de nós próprios

É verdade. O título já diz tudo.

Nossa meta é sermos felizes. Não há felicidade dissociada do auto-descobrimento. Se não sei o que sou, o que gosto, o que não gosto, se não consigo reconhecer minhas qualidades, meus defeitos, eu nunca conseguirei alcançar a felicidade. As pessoas mais felizes são aquelas que mais dominam as suas próprias ações, pensamentos, as que mais conhecem aquilo que conseguem e não conseguem fazer.

Nesta jornada de auto-descobrimento, uma das melhores maneiras de entender o que somos é refletir sobre as nossas reações, quando em contato com pessoas que conseguem nos irritar, incomodar ou afetar de uma maneira ruim. É maravilhoso refletir sobre o porque de nos afetarmos em contato com determinadas pessoas. Não que eu esteja sendo masoquista, mas se essas pessoas nos afetam, prejudicando nossa felicidade, isso é sinal de que temos de reformular nossos mecanismos mentais, nossas ações, nossa conduta, nossos pensamentos e julgamentos, no sentido de não mais ficarmos infelizes por causa disso.

A pessoa irritante não tem culpa de ser o que é. Um dia, ela passa, e outras parecidas entram em contato conosco. A verdade é que elas nunca vão parar, sempre existirão, de modo que matá-las não é a melhor solução. 🙂

Temos de descobrir meios para não mais nos irritarmos com isso. Para isso, temos de descobrir a resposta para a questão chave: por que nos afetamos com isso?

E aí vamos descobrindo a nós próprios. O que nos falta, em termos de paciência, humildade. Vamos descobrindo que há muitas falhas em nós. Ora, não é todo mundo que é afetado quando essa pessoa age da maneira que age. Por que, então, nós nos afetamos? Tem um motivo todo escondido, dentro de nós e só nosso.

Tentem fazer isso. Reflitam, pensem, achem respostas.