Equilíbrio Mental

Como é importante, meus queridos amigos leitores, o equilíbrio mental ao longo do dia. Não sei se com vocês é assim, mas comigo é tão difícil conseguir manter um equilíbrio de pensamentos, uma paz na casa mental, durante o dia todo! Teria de ser assim. Entretanto, sem motivo aparente, muitas vezes estou em clima de desânimo, de raiva com todos, de pressão psíquica para ofender, de sensibilidade boba para com qualquer frase menos feliz dos outros. Isso acontece comigo, várias vezes, sem que eu encontre alguma razão que justificaria esses estados mentais (alguma preocupação, alguma ofensa).  E isso me prejudica tanto nos relacionamentos humanos (porque não consigo ser quem eu sou verdadeiramente), e nos deveres que tenho de cumprir ao longo do dia.

Temos, por isso, de manter a vigilância nos pensamentos. Vigilância constante! Não basta orar. Temos de vigiar, para não nos pegarmos fazendo e agindo de modo totalmente contrário ao que acreditamos e pregamos. Para não ofendermos as pessoas. Para não nos culparmos depois.

Isso porque o Espiritismo nos revela um segredinho: muitas vezes somos induzidos a determinados comportamentos, por influenciação de espíritos menos felizes, que se ligam a nós por um motivo ou outro e esperam que sintonizemos com seu estado mental. Invariavelmente, sintonizamos! Não vigiamos direito, e por isso, à simples aproximação de um irmão desencarnado mais raivoso, tornamo-nos mais raivoso; a simples presença de um espírito mais apegado ao sexo faz que pensemos nisso constantemente…

Vigiar, gente! Mudar o rumo dos pensamentos. Sermos senhores de nós próprios. Vejam, que por mais que sejamos influenciados, o simples fato de o sermos já mostra a nossa culpa: estamos deixando. Porque toda influência pressupõe uma abertura por parte do influenciado. É, ou não é? A culpa não é dos espíritos. A culpa não é do “Diabo ou os demônios”. A culpa é nossa, por nossa invigilância. Eles escolheram agir assim. Nós podemos escolher agir de outra forma. Temos de lembrar, antes de qualquer pensamento menos feliz, se ele é ou não proveniente de nós próprios. Se sim, trabalhar para a reciclagem de pensamentos, melhorando também nossas ações. Se não, ficar atento e fortalecer nossas defesas mentais. Igualmente, também, trabalhar pela melhoria interna, porque se houve sugestão de pensamentos por parte de uma entidade desencarnada e ela ecoou na nossa acústica mental tal como se nós tivéssemos pensado, é porque estamos, de alguma forma, permitindo tal influenciação (e até aprovando-a, muitas vezes).

Vou abrir um parênteses e dizer: a verdade do mundo espiritual é inquestionável, para aquele que estude um pouquinho acerca da mediunidade. Digo isso para os leitores céticos que porventura achem que estou pirando. Estudem a mediunidade, procurem saber um pouco mais, leiam “O Livro dos Médiuns” de Allan Kardec. Há comunidades inteiras de espíritos, que nada mais são que pessoas desencarnadas. Elas vivem em lugares que satisfazem ao seu tipo e as suas necessidades. Os mais lúcidos já procuram trabalhar para a melhora íntima, e habitam colônias espirituais organizadas, acima da crosta terrestre. Ingressam em grupos de apoio, de estudo, já programam novas encarnações. Os mais apegados à matéria e as sensações permanecem perambulando pela Terra. E há submundos terríveis por debaixo da crosta, composto por legiões de espíritos perversos (profundamente ignorantes), com líderes inteligentes, dignos de pena para aqueles que o olham com sensibilidade.

É importante, leitores, que saibam disso, principalmente porque estamos adentrando o Carnaval, e este é um período de intensa movimentação do plano espiritual, pelo convite ao extravasamento das sensações, do sexo desegrado e das bebidas alcoólicas que os seres humanos encarnados tanto apreciam. Incontáveis entidades nesta faixa vibratória se deleitam nessa “orgia nacional”, incentivando-a. É uma loucura, parece que todos nós nos sentimos no direito de cairmos na mais pura animalidade, esquecendo todas as nossas conquistas nobres de muitos séculos, como a família, o trabalho digno, a sensibilidade que já adquirimos. Procuremos permear nossas festividades carnavalescas com atividades mais nobres. Leiam alguma coisa, participem do Congresso Espírita de Goiás, um dos maiores eventos espíritas do mundo; participem das festividades de sua Igreja; procurem algum trabalho voluntário; aproveitem para descansar, passear pelo bosque, estar junto aos familiares.

Sei lá. Temos de fazer de tudo para reformarmos o nosso interior. Para sermos pessoas melhores. E essa reforma não se dá apenas nas ações, mas também nos pensamentos. Na casa mental. Na psique. Cabeça faxinada, coração pronto para a ação dignificante! Façam esse exercício. Procurem avaliar o estado mental de vocês constantemente. Procurem analisar o teor dos seus pensamentos. Lembrem-se de perceber, com agilidade e sagacidade, qual a origem desses pensamentos. São seus, verdadeiramente? Você pensaria nisso? Ou melhor: você quer continuar pensando assim? Quer continuar levando-se por esses estados mentais de tédio, de desânimo, de sexo, de raiva?

Escolha seu caminho, meu chapa. 🙂

Graças a Deus, temos o livre-arbítrio.

Saibamos escolher bem, sempre.

Para complementar a discussão acerca do livre-arbítrio dos homens

Controle e Destino – um Breve Ensaio (*).

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

(Compelido por Eugênia ao computador, às 15 para as 4 da manhã desta quinta-feira, primeiro de julho, a fim de digitar o que não saberia, despejou-me a sábia mentora espiritual, em fluxo mental que mal podia acompanhar (e tenho antiga e boa prática ao computador), as palavras que se seguem:)

As humanas criaturas padecem de uma curiosa ilusão: supõem-se senhoras absolutas de seus destinos. Não é outro o motivo de seu sofrimento: por esperarem que as coisas aconteçam de seu modo e, é lógico, elas não acontecem, frustram-se – findam-se infelizes. Não pretenda controlar seu destino. Observe como os acontecimentos vêm e vão, flutuando como bolhas de sabão no ar, a espocarem, fugazes. Preste atenção às forças do momento e tente encontrar, nelas, a voz da eternidade. No imo de cada circunstância, perceberá a voz de Deus a lhe segredar verdades fundamentais para você. Atente-se e notará. Pela voz da paz, da bem-aventurança, da plenitude, você facilmente distinguirá a verdade da impostura, a aparência da essência, o sentimento da sensação.
Você é, hoje, instrumento de forças ocultas, que desconhece. As forças do destino, como agentes profundos e complexos de significado e destino, mobilizam eventos, articulam acontecimentos, fazem as coisas surgirem, como que por acaso, das dobras do tempo. Sem notar, você é conduzido e amoldado, por inteligências ocultas, que argamassam seu crescimento, favorecendo seu processo de construção para as alturas.
Eu sei: como ser humano, você duvida de tudo isso – pode duvidar. Pouco importa. A alçada do livre-arbítrio humano é muito maior do que ele gostaria de supor, tanto quanto a extensão de seu poder de influenciar a realidade externa, idem. Mas, se preferir despertar para a verdade, pare de se angustiar tanto pelo dia de amanhã, como disse Jesus, e trate de viver plenamente o agora. Não no sentido de se descuidar de planejamentos e compromissos a longo e médio prazo, mas no sentido de prestar atenção aos fluxos do momento, carregados da Divina Presença que, como reza o paradigma holográfico, o mais avançado modelo de representação da realidade, Deus, como a Grande Totalidade, está em cada parte, assim como asseveravam antigas tradições espirituais humanas, que afirmavam o mesmo, a partir de uma perspectiva meramente mística e filosófica.
Você é conduzido pela Divina Sabedoria, e deveria, assim, tranqÜilizar-se e relaxar completamente. Afinal de contas, além de infinita inteligência, Deus também é infinita bondade. Portanto, por que o motivo da preocupação? Para os aficcionados em controle, a resposta é entregar-se, e confiar… em Deus.
Pare de questionar as sinuosidades do destino. Assim como afirma a teoria do caos, é por meio da desordem aparente que uma ordem mais profunda, em nível mais elevado de complexidade, pode se estabelecer. Somente a confusão amadurece e propele à transcendência. Não seja desordeiro, é óbvio, mas não fuja da desordem inevitável – aquela atrelado ao processo de aprendizado – ou pagará um preço pesadíssimo não só de desordem ainda maior, como, principalmente, de sofrimento e vazio.

Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 3)

Há duas teorias antagônicas, uma propugnada por muitos religiosos, outra pelos adeptos do ateísmo. A primeira acredita que Deus traça destinos e influencia tanto as vidas das criaturas que não haveria livre-arbítrio. Nesta teoria, as criaturas são marionetes de Deus, que apenas “acham” que podem escolher suas ações, quando na verdade estas são sempre causadas pelo Todo-Poderoso. Se somos controlados por Deus, que é infinitamente bom e superior, teremos uma vida perfeita. Há, nesta teoria, uma harmonia sublime no Universo.

A segunda teoria acredita que Deus não existe, e portanto o que reina são as vontades humanas. Neste teoria, não há uma força desconhecida que regeria os destinos do mundo; nada fica na “dependência” de uma vontade superior, tudo acontece em função das vontades humanas que se entrechocam e ponto final. Predomina, nesta teoria, o Caos dos acontecimentos.

Se o nosso ganhador da mega-sena é adepto da primeira teoria, sabe que ganhou porque Deus quis. Se for adepto da segunda, ganhou porque teve muita sorte. Da mesma forma, se eu acreditasse na primeira, acreditaria que encontrei meu amigo na praia da Enseada porque Deus assim desejou; se eu acreditasse na segunda, teria tido uma baita sorte.

No entanto, estou propondo uma terceira teoria, que mescle tanto a Vontade de Deus como o Livre-arbítrio dos homens. Por quê? Porque parece não fazer sentido que Deus não exista, pois as coicidências inexplicáveis da vida acabam por nos conduzir a idéia de uma força superior. Da mesma forma, parece não fazer sentido que Deus nos controle totalmente (senão, para que teria nos criado, a princípio? para brincar de marionetes?).

O ateísmo peca por desconsiderar uma força natural diferente daquelas já conhecidas. A outra peca por desconsiderar por completo a autonomia das criaturas. Uma é só o homem. Outra é só Deus.

Quero mesclar as duas teorias! Vamos ver como vai ficar:

Teoria do Livre-arbítrio Relativo dos Homens

Deus restringe o livre-arbítrio das criaturas em alguma medida, mas não de todo. Temos, desta forma, uma autonomia relativa. Deus nos dá uma margem para que possamos escolher nossas ações, anulando aquelas que “atrapalham” a sua Vontade, e deixando passar aquelas que não atrapalham a sua Vontade. Assim, temos uma harmonia constante no Universo, por mais que tenhamos nós alguma autonomia (porque, se de um lado somos variáveis que podem gerar ações desarmônicas, de outro há Deus que corrige tais desarmonias). A forma como Deus anula as vontades que não podem fazer parte do Universo é um grande mistério, mas acho que há uma gradação: quanto pior a vontade de um indivíduo, no sentido de causar um desequilíbrio grande no todo, maior será a força contrária, vinda de Deus, para anulá-la.

Por exemplo: o indivíduo, de carro, quer passar pela ponte que está prestes a ruir. Mas a Vontade de Deus é a de que ele não morra. Por mais que o motorista tente passar por lá, não conseguirá. De alguma forma, vai ser impedido. De início, uma simples intuição, “faça o outro caminho, vai ser melhor pra você”. O motorista pode optar por ignorar o aviso mental que insistentemente lhe é soprado aos ouvidos – por um colaborador espiritual, que compreende melhor a Vontade de Deus (aqui, entra o Espiritismo, mais a frente falaremos dele). Decide por ligar o som e sintoniza na rádio, cujo programa é um noticiário sobre os estragos das chuvas e a fragilidade das construções humanas (coincidência inexplicável – uma “improbabilidade” que confirma a atuação de uma Vontade Maior). Revoltado, muda de sintonia e é anunciada uma propaganda do McDonald’s. Ele pensa que seria uma boa idéia passar no McDonald’s para comer um sanduíche, mas para ir até lá deveria pegar um outro caminho e, por alguns segundos, pensa em desistir de passar pela ponte. Entretanto, lembra, revoltado e curioso, que hoje tudo parece convergir para ele não passar na ponte, e decide, só para testar “isso que eles chama de Deus”,  que vai passar lá só de raiva. Deus, tranqüilo lá em cima, deve pensar “Coitado, acha que pode me vencer”. Segundos após, o motor do carro queima inexplicavelmente, e finalmente o motorista fica impedido de realizar o seu intento.

Neste caso, estávamos considerando que a Vontade de Deus é a de que ele não morra. Ao mesmo tempo, estávamos considerando que a Vontade de Deus era a de que a ponte quebrasse.  Vocês podem perguntar por que Deus quereria que a ponte quebrasse, se é Todo Amor, mas isso é outra história (podemos, rapidamente, refletir que um amor sublime demais é, muitas vezes, incompreendido pelos homens, e que às vezes a dor e a morte vem como benefícios gigantescos para as almas em evolução, tanto as que vão como as que ficam).

Deste modo, é como se a Vontade de Deus não fosse uma só e pronta, ela está aberta a certas mudanças, a depender das escolhas das criaturas. Por que se Deus agisse de forma incisiva, sem considerar uma margem de ação para as criaturas, o homem já no início decidiria que não passaria pela ponte, e ponto final. Deus deu uma margem grande de escolhas para o homem, que tentou “testar” o acaso e foi por ele vencido. Mas, se continuássemos a história e se o homem, agora revoltadíssimo e louco, decidisse ir a pé até a ponte para suicidar-se, no setindo de continuar testando a Vontade de Deus, muito provavelmente Deus deixaria que ele morresse, para que aprendesse, no futuro, com seus próprios erros.

Ou seja: Deus leva em conta nossas escolhas, por mais que ajamos de modo idiota e infeliz. É como se fosse num tabuleiro de xadrez, onde nós jogamos de um lado e Deus de outro. Ele deixa que movimentemos as peças da maneira como desejemos, e quando é sua vez joga “para perder”, para facilitar a nossa vitória. Por mais que joguemos como um idiota, Deus jogará de modo ainda mais idiota, porque quer que descubramos, por nós mesmos, formas de comer algumas peças, de dar cheques… No nosso exemplo, houve essa gradação: o homem primeiro foi alertado pelo pensamento, mas decidiu continuar a caminho da ponte, ligando o rádio para esquecer a preocupação (Deus deu a rainha para ele comer e o imbecil mexeu o cavalo na outra ponta). Depois Deus mandou avisos subliminares pelo rádio, mas ainda sim o bobão quis continuar no mesmo caminho  (Deus abriu a região do Rei para o homem dar um cheque com o cavalo que havia mexido na jogada anterior, mas o idiota preferiu mexer com um peão na outra ponta). Daí Deus decidiu por queimar o motor do moço, que enfim não pode fazer o que queria (Deus colocou o Rei em posição ridícula, e o homem pode facilmente ver que, com o cavalo e o peão, conseguiria dar um cheque na peça, e o fez). Ele poderia, como dissemos, ir a pé até a ponte (o idiota poderia, ao invés do cheque, dar a rainha de presente para um peão de Deus, só para testá-lo) e provavelmente Deus deixaria que ele morresse (Deus comeria a rainha com o peão), para aprender a valorizar mais a oportunidade da reencarnação, da família, vivendo só numa colônia espiritual – ou num local aterrador do Umbral (ele jogaria sem rainha, para ver o tanto que é ruim).

Percebam que essa teoria só é útil, entretanto, se conseguirmos dar uma definição satisfatória para “Vontade de Deus”. E tudo nos leva a crer que esta está diretamente relacionada com a felicidade das criaturas. Deus, na minha visão, parece conspirar a nosso favor. Então, Deus dá uma margem às nossas escolhas, sendo esta margem relativa ao grau de felicidade que tal ato proporcionará a nós próprios. Aquilo que vai realmente nos trazer felicidade, Deus deixa de boa (e ainda movimenta forças para nos ajudar). Aquilo que alegra mais ou menos ou desalegra um pouco, Deus ainda deixa. Mas aquilo que vai nos trazer bastante infelicidade, Deus faz de tudo para impedir – muito embora, se persistimos naquilo, Deus deixa, para que no fim ele acabe aprendendo por conta própria.

Isso considerando o livre-arbítrio de fazer o que quiser com a gente próprio. Porque, quando se trata de fazer o que quiser com o outro, a nossa margem é menor: se queremos assassinar tal pessoa e é da Vontade de Deus que ela não morra desta forma, podemos fazer de tudo para tentar matar que não conseguiremos (alguma coisa vai sair errada). E como na maioria das vezes nossas ações influenciam os outros, sempre temos nosso livre-arbítrio cassado, num ou noutro ponto, sem percebermos. Porque, se chegarmos a conclusão de que podemos fazer tudo, voltaremos a primeira teoria do ateísmo, que desconsidera haver uma harmonia sublime no Todo. Para que haja tal harmonia, é imprescindível uma força superior que coordene o todo, por mais que os componentes deste todo, diariamente, ajam no sentido de criar desarmonias.

Esquematicamente, ficaria assim:

Os homens são as bolinhas azuis, e as setas pretas as suas opções (o seu livre-arbítrio). Algumas delas, se escolhidas, serão automaticamente anuladas por uma força contrária, as setas vermelhas, cujo motor é Deus.

Se consideramos os bons espíritos como ajudantes de Deus, que compreendem mais ou menos a Sua Vontade, ficaria assim:

As bolinhas laranjas são os espíritos do bem, que estão prontos para agirem caso os homens optem pelo caminho errado. Como compreendem a Vontade de Deus, é como se estivessem agindo movidos pelo próprio Deus, motivo pelo qual há uma seta vermelha saindo de Deus e indo até eles próprios. Entretanto, como não são perfeitos, não compreendem totalmente a Vontade de Deus, e por isso algumas setas vermelhas pontilhadas saem de Deus até os próprios homens, como a representar a força contrária, caso ajam em desconformidade com sua Vontade (naquilo que os bons espíritos não perceberam).

Bom, de início, esta é a teoria. Tentarei aprofundá-la e repará-la no que ela estiver errada (vocês, leitores, me ajudem).

A teoria explica algumas coisas, mas ainda falta muita coisa a ser considerada, e alguns pontos espíritas a serem esclarecidos.

Continua no próximo post…

Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 2)

A coincidência acontece quando dois (ou mais) fatos ocorrem ao mesmo tempo, gerando um terceiro fato que, aos nossos olhos, é espetacular/interessante/maravilhoso. Por exemplo: você vai até Guarujá e decide visitar a gigantesca praia de Enseada; lá chegando, anda um pouco sobre a areia e decide sentar-se sob a sombra de determinado guarda-sol de certo restaurante; lá sentado, observa que uma senhora gordinha que está tomando sol logo a frente lhe parece familiar; segundos depois, vê um sorriso conhecido do filho desta mulher vindo até você: é seu grande amigo de muitos anos, lá de Goiânia.

Coincidência absurda? Aconteceu comigo, ano passado (este amigo também tem um blog: O menestrel mudo).

Praia

Depois de tal acontecimento mágico, fico a pensar: tenho eu livre-arbítrio para ir aonde quiser, assim como ele. Minha tia (que viajava conosco e escolheu a praia da Enseada para passear) poderia ter escolhido outras – são tantas em Guarujá. Poderíamos ter escolhido outro lugar para sentar, bem como meu amigo. Enfim, havia tantas chances de utilizarmos o nosso livre-arbítrio para não nos encontrarmos, mas foi exatamente isto que promovemos. Um estudo de probabilidades poderia concluir que tal acontecimento é tão improvável quanto um meteoro cair em cima da Terra hoje!

Esta coincidência (e tantas outras) só nos leva a crer que existe uma força desconhecida que deve ser levada em conta nestes cálculos de possibilidades para fazê-la mais provável. Uma força que explicaria a ocorrência de fenômeno tão improvável.  Uma força que, enfim, tornasse-a provável…

Só pode ser, claro uma força inteligente. Porque uma força burra e irracional deixaria o fenômeno ainda mais improvável do que já é. Deve ser uma força inteligente, que torne o “acaso” mais provável, eliminando todas as possibilidades contrárias ao acontecimento que essa força pretende causar (no caso, o encontro de dois grandes amigos), eliminando as ocorrências que atrapalhariam ou impediriam tal fato – como, por exemplo, a minha tia escolher outra praia; ou nós entrarmos na praia Enseada pelo lado oposto (tem 5 km de extensão, se estivesse do outro lado, nunca teria encontrado meu amigo).

Essa força, então, deve ter uma abrangência enorme, porque não pode funcionar apenas como uma peça nesta fileira de acontecimentos que estão se sucedendo, ela deve “atrapalhar” um monte de acontecimentos que poderiam impedir a ocorrência do encontro entre os amigos.

Além de inteligente e abrangente, parece que ela é uma força gente boa, porque só um gente boa poderia trabalhar tanto para fazer dois amigos queridos se encontrarem no meio de uma multidão de barracas, cadeiras e gente.

Temos, então, nesta teoria, um esboço do que as pessoas chamam de Deus.

Daí, então, vem a minha grande dúvida: Deus, essa força inteligente-abrangente-genteboa (ou, em outras palavras, onipotente, onipresente e soberanamente boa e justa), para ocasionar o fenômeno do encontro de dois amigos, teve se suprimir o livre-arbítrio de muitas criaturas. Sim, porque se deixasse que cada um fizesse aquilo que lhe convinha, a probabilidade de os dois amigos se encontrarem era mínima. Poderia acontecer, mas era muito pequena.

Mas, se suprimiu, qual é a graça de vivermos?

Vivermos para sermos controlados?

Aí é que tá!

Continua no próximo post…

Livre-arbítrio X Vontade de Deus (parte 1)

Há, aparentemente, uma contradição entre o livre-arbítrio das criaturas e a atuação de Deus em nossas vidas. Porque, se possuímos liberdade para fazer ou não fazer aquilo que quisermos, de certa forma a vontade de Deus ficaria anulada. Em outras palavras: todos os fenômenos que ocorrem em nossas vidas que, na nossa concepção, são bênçãos divinas, não teriam como causa a Vontade Divina, mas sim um produto de um monte de outras vontades humanas (escolhidas por eles próprios), que “sem querer”  teriam gerado tal fenômeno-bênção em nossas vidas.

Por exemplo, um homem ganha na mega-sena sozinho vinte milhões de reais. Para que tal fenômeno (que aos olhos dele é uma bênção de Deus) ocorresse, teve ele de jogar os seis números certos; teve as outras pessoas de jogarem os seis números errados (ou pelo menos 1 errado); teve as moças que pegam as bolinhas dos números na hora do sorteio terem parado o globo e tirado as bolas na hora certa. Basicamente, para que a bênção ocorresse, estas três causas básicas tiveram de ocorrer. Não há, nas três, aparentemente, uma Vontade Divina, mas sim a utilização do livre-arbítrio dessas criaturas.

Isto considerado de modo estrito. De modo amplo, inúmeras outras coisas tiveram de ocorrer para que, no fim, o homem tivesse ganhado na loteria, desde seus pais, que um dia tiveram de transar para que ele pudesse nascer e virar adulto e finalmente jogar na loteria. Não estou exagerando, isto é um fato: se ele não tivesse nascido, não poderia ter jogado. De modo amplo, é possível vislumbrarmos um monte de outras causas.

Vamos supor que um dos números que ele jogou foi a data de nascimento do seu filho, então, uma das causas de ter ele ganhado foi justamente o fato de sua esposa ter dado a luz neste dia específico. E para que o bebê nascesse naquele dia e não em outro, foi-se necessário que o bebê já estivesse de saco cheio da barriga da mãe naquele dia específico. E para que o bebê estivesse de saco cheio naquele dia, às vezes foi-se necessário que a mãe tivesse se alimentado bem e se cuidado bem durante sua gestação…

De modo amplo, para que a moça tenha pegado as bolas certas, pode ter sido necessário que o globo que gira as bolas tivesse girado 4 vezes e não 3, que o moço que tenha enfiado as bolas lá desde o início tenha começado enfiando a bola 30 (que no fim acabou sendo escolhida), que o globo tivesse sido confeccionado pela empresa X e não Y (que confecciona globos um pouquinho maiores – que por isso teria alterado a bola que saísse)…

Ou seja: de modo amplo, nunca conseguiríamos discriminar todas as causas que influenciaram o homem a jogar aqueles seis números, os outros a não jogarem aqueles seis números, e as moças a pegarem as bolas certas. Este aspecto caótico dos fenômenos é muito bem explicitado pela Teoria do Caos, que ficou bastante conhecida pelo filme “Efeito Borboleta”.

Mas… E se…

A moça pensava estar girando ao globo por livre vontade, quando na verdade havia uma causa influenciando-a a girar quatro e não três vezes a bola?

E se o homem ganhador achava apenas que estava escolhendo os números, quando na verdade uma causa desconhecida soprava-lhe alguns números na mente?

Ou seja: e se o livre-arbítrio nosso for, de certa forma, limitado por uma Vontade Inteligente desconhecida?

Será que há, por trás deste caos de acontecimentos, uma harmonia sublime conduzindo os fenômenos?

Continua no próximo post…