Ouvir o outro

As discussões políticas apaixonadas e desrespeitosas só fazem mal à política. O ódio e a raiva são antidemocráticos por si mesmos, pois o sujeito age negando o que o outro pensa e sente, não lhe dando ouvidos, não lhe dando chance alguma.

As manifestações agressivas são mais que antidemocráticas: são atos de desamor, pois ao negar o que o outro pensa e sente, nega-se o próprio ser humano que ali está, com seus propósitos, contradições, ideiais, história de vida, família…

O sujeito se nega a entender seu “irmão de espécie”, como se aquele não fosse também um ser humano, igual a ele. Se nega a conviver com o seu “irmão de terra”, ainda que a convivência seja uma fatalidade, pois ninguém poderá se mudar para Marte ou coisa do gênero.

Por isso eu penso que a boa luta política se faz através do diálogo, através da busca em encontrar o outro – ainda que, neste processo, também encontremos a nós mesmos, e percebamos as nossas diferenças em relação ao outro (talvez menores do que imaginemos, num primeiro momento).

Para finalizar, lembrei-me de Nelson Madela, que incentivou seu companheiro de lutas Mac Maharaj a aprender o aficâner, e ainda que este relutasse, dizendo “mas esta é a língua do opressor”, ele respondesse: “mas nós precisamos entender como eles pensam”, e quando este mesmo amigo o criticara por ter chamado de íntegro um chefe político racista, ele retrucou: “não importa o quanto somos inimigos, precisamos acreditar na integridade do outro homem” (trechos do documentário: https://www.youtube.com/watch?v=SzY8EnTakvw).

Reflexão sobre a sensibilidade

Ter sensibilidade é saber deslocar a si próprio. É empurrar a si próprio para fora de si, colocando-se à margem de si mesmo. Um “suicídio” psicológico. Explico: não consigo ser sensível ao outro se ocupo-me de mim mesmo, pondo-me como o centro de tudo. É preciso sair de mim… Só assim, é possível viver o próximo, de alguma forma.

Nestes momentos, o sujeito identitário “eu” foge (para algum lugar) e um imenso universo – o “outro” – passa a ocupar a atenção do primeiro. Pessoas mesquinhas e pobres espiritualmente ficam milisegundos, apenas, neste estado: o suficiente para rejeitar o outro pelas nuances de diferenças que conseguem, neste curtíssimo espaço de tempo, perceber. É que a volta do “eu” para o lugar em que estava é exigida rapidamente. Algumas vezes, nos demoramos um pouco mais, quando, por algum motivo, estamos mais dispostos a esquecer da gente (talvez por cansaço), e enxergamos colorido todo especial nestes momentos: situações, casos, gostos, todo particulares, o que é capaz de encantar.

Os instantes de sensibilidade, no entanto, são normalmente fugidios, porque estamos todos, quase sempre, procurando construir a nós próprios, ocupando-nos de nós mesmos inteiramente. Somos tão pequenos e imaturos! Procurando afirmar o que somos, buscando atenção, rejeitando o que não nos apetece (porque precisamos marcar nossa presença no mundo, de alguma forma). É a marca deste século. Não nos sobra tempo psicológico para viver o outro – e, muitas vezes, nem daríamos conta mesmo, a princípio, tão mesquinhos que procuramos e estamos acostumados a ser.

Creio, no entanto, que uma presença mais demorada nestes estados de sensibilidade com os outros poderia nos revelar nuances identitárias de nós nos outros. Vendo o outro com um olhar mais perfeito, enxergaremos um ser humano que possui dores, desejos, crenças, amores, desamores… Como nós.

E, talvez, esta forma de construir a si próprio seja muito mais eficiente que a primeira. Pois, ao buscar o encontro com o outro, encontramos a nós mesmos. Penso que as almas santas que já viveram na Terra viviam este estado de sensibilidade permanentemente… Madre Tereza, Chico Xavier, Irmã Dulce. Olhares sempre atentos para o outro. Fazendo esta reflexão, percebo que assim agiam não por um natural espírito sacrificial, distante em demasia dos homens comuns. Agiam, em verdade, porque, em sendo sensíveis, buscando vivenciar o outro verdadeiramente, encontravam, por fim, o que estavam procurando (o que todos nós estamos): eles próprios.

26º Congresso Espírita do Estado de Goiás

Estou participando pela segunda vez do Congresso Espírita do Estado de Goiás, e estou adorando. Acontece sempre durante o carnaval. Este ano, os palestrantes são de um nível excepcional, que dificilmente encontro em palestras e congressos no âmbito jurídico, por exemplo. Abaixo, algums trechos interessantes das palestras, que lembrei e anotei.

Folder do Congresso – XXVI Congresso Espírita do Estado de Goiás0001

Acompanhe as palestras ao vivo pelo site http://www.tvcei.com/portal/index.php/aovivo/canal14

Seminário “Minha paz vos deixo…”, de Simão Pedro

“Qual é a causa da violência? Os estudos apontam três grandes causas: miséria e pobreza; baixo índice educacional; carência de políticas públicas eficazes.

Entretanto, refletindo sobre estas três hipóteses, podemos questioná-las da seguinte forma: se a miséria e a pobreza fossem as causas da violência, necessariamente todo miserável e todo pobre deveria praticá-la. E não é isso que vemos. Há pessoas pobres de uma paz indefiníveis. Pessoas que, apesar das condições deploráveis de existência, são amáveis, equilibradas, confiantes em Deus. Podemos considerar que a miséria é um fator que predispõe à violência, pelas condições desumanas de vida que impõe às pessoas, mas não são verdadeiramente a causa da violência. Tampouco o baixo índice educacional seria uma causa, porque senão todo analfabeto teria de ser violento, e todo instruído não, e temos exemplos que contrariam ambas as afirmativas. O mesmo raciocínio se aplicam as políticas públicas, que apesar de reduzirem drasticamente o nível de violência dos países, não erradica a violência dos corações de muitas almas.

Qual é, portanto, a causa da violência?

A violência é uma decisão. É uma escolha íntima, individual. A causa está dentro das pessoas, e não fora delas. As pessoas decidem ser violentas, por este ou aquele motivo.”

“A paz não pode ser confundida com aquela preguiça rançosa, de quem não tem problemas. A paz é estado íntimo d’alma, fruto também de uma escolha pessoal, que não retira do mundo os problemas vários, mas dá ao indivíduo a tranquilidade necessária para a resolução de todos eles. Jesus disse “Deixo-vos a Minha Paz, a minha Paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.” Quis ele explicar que sua paz não é a paz que o mundo dá. A paz do mundo é essa tranquilidade paradisíaca, daqueles que nada tem a fazer senão curtir seu ócio. Essa é paz estereotipada, uma falsa paz. A paz do Cristo é atitude interna de equilíbrio, diante das mais diversas problemáticas exteriores.”

“Há diferença entre ser pacífico e pacificador. O homem pacífico evita as reações violentas. Evita contrariar. Não é motivo de discórdia ou desarmonia.  Já conseguiu sublimar todas aquelas respostas instintivas, animalescas, de ódio, raiva, intolerância. É manso. O pacífico é o homem manso, que tem, de acordo com a bem-aventurança do Cristo, a herança da Terra. ‘Bem-aventurados os mansos, pois herdarão a Terra’. Poderá continuar aqui após a transformação do mundo (que sai da categoria provas e expiações e passa a categoria regeneração). Não serão expulsos do orbe terrestre, para outros mundos menos evoluídos. Não causam problemas para os outros e complicações cármicas para si. Começaram, já, a jornada do auto-descobrimento, mas ainda são muito tímidos.

Já o homem pacificador é aquele ativo, que atua para a promoção da paz. É mais que o pacífico. Já sublimou as reações instintivas, mas colabora para a mansuetude dos semelhantes, mediante ações incisivas em várias áreas da existência humana. Começaram a mais tempo a jornada da descoberta íntima, pois que estão mais alinhados ao clima de serviço a que a consciência lhes chama. São os vanguardistas de todos os tempos; são os trabalhadores incansáveis, estrelas e anônimos. Nem sempre agradam a todos – costumam, de fato, contrariar a muitos – mas não são violentos. Contrariam porque pregam valores morais, que chocam os interesses do ego dos homens ignorantes. Os pacificadores serão chamados filhos de Deus, conforme a enunciação de Jesus ‘Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus’. Pois que Deus é o Grande Pacificador, o inexorável trabalhador pela Paz dos mundos. Toda criatura que seja pacificadora está agindo como Ele e, deste modo, pode ser considerado verdadeiramente como seu filho.”

Seminário “Apocalipse: mitos e verdades”, de Haroldo Dias

“Toda profecia que prevê catástrofes e destruições são preditas para não serem cumpridas. Isto é importantíssimo para o estudo não só do Apocalipse, livro profético de João, como também qualquer outro que se queira estudar (Daniel, Nostradamus). As profecias são reveladas por espíritos muito evoluídos, com a intenção de que os homens alertem-se para as possíveis catástrofes futuras, e procurem agora melhorarem-se internamente, no sentido de progredirem moralmente para que Deus não precise recorrer do instrumento da dor para promover a evolução humana.

Isto porque Deus é amor, e sua Justiça compõe-se de muita Misericórdia. Deus não quer a dor, e busca fazer de tudo para que ela não seja necessária aos homens. Deus é tão amoroso que considera relevante todas as nossas míseras e pequenas ações de bem, para contrabalançar nossos erros. Como exemplo, podemos citar o caso de um homem que, por ter tratado mal seus escravos, em existência anterior, reencarnou com a sina de ter de perder seu braço, quando entrasse a maioridade. Então, voltou a vida, mas quando jovem ingressou num grupo religioso de ajuda ao próximo e descobriu o quão podia ser útil ao seu semelhante. Chegada a hora do resgate cármico, perdeu apenas um dedo. A Misericórdia e o Amor são componentes da Justiça divina. A Justiça divina não está preocupada em arrancar braços, mas em transformar espíritos.”

“De acordo com Emmanuel, para serem analisadas profecias, temos de primeiro meditar sobre a parábola de Jonas. Jonas recebeu de um anjo a profecia de que determinada cidade iria ser aniquilada por inúmeras catástrofes, caso a população dela não se arrependesse. Jonas, animado com o fato de ser emissário do céu, e mesquinhamente interessado em promover revelações bombásticas e cruéis, encarapitou-se como um poderoso profeta, subiu ao altar da cidade e anunciou as grandes catástrofes para aquele povo, intimamente feliz pelo poder que detinha. Quase esqueceu de mencionar que elas não ocorreriam caso as pessoas de lá se arrependessem.

Resultado: no dia esperado para as intempéries, Jonas procurou um bom lugar no alto de um morro, sob a sombra fresca de uma mamona, para assistir a destruição. Mas ela não veio, porque as pessoas de lá se arrependeram, procurando mudar os rumos de suas existências. Jonas estava desnorteado. Para piorar, Deus mandou muitas formigas comerem as folhas da mamona, que o deixaram ao sabor do sol quente daquelas paragens. Aquilo foi a gota d’água. Revoltado, bradou a Deus pelas injustiças que estava cometendo, dilapidando o caráter público do profeta e ainda por cima tirando dele o seu conforto sob a sombra da mamona. Deus respondeu: ‘Jonas, tu estás triste pela mamona comida pelas formigas, mas não se alegra por ter eu liberado teus irmãos de tanto sofrimento?’

A parábola termina aí, deixando-nos ensinamentos importantes, no que se refere a profecias. Primeiro: não há uma determinação inexorável de alguma profecia. Sempre haverá a possibilidade de os homens, através do livre-arbítrio, evitarem tragédias. Segundo, devemos parar de uma vez por todas com essa mística construída em cima de profecias, como se fossem figuras belas e encantadoras, por mais trágica que seja para as pessoas. Deus ama a todos, e faz de tudo por todos.”

“Judas não teria necessariamente de trair Jesus. A Espiritualidade Superior nunca programa nossas encarnações para que façamos o mal. Para que erremos. Nossos programas sempre esperam nossos acertos. Entretanto, como essa Espiritualidade nos conhece de cabo a rabo, sabe mais ou menos o que vamos fazer e deixar de fazer, como erraremos, quais são as probabilidades. E mesmo que sejam mínimas os cálculos probabilísticos para que acertemos, eles depositam em nós esperanças, até o último momento. Prova é que Judas, ao aproximar-se de Jesus para o beijo que selaria a traição, foi interpelado pelo Mestre, que tenta sensibilizá-lo, indagando “Judas, com um beijo trais o Filho do homem?”.”

Escolha acertada

Estou, nesta madrugada de sexta-feira, refletindo sobre as escolhas que fazemos para as nossas vidas. Em alguns pontos, acertamos. Em outros erramos. Apesar disso, sei que tudo vale a pena, de modo que, por mais que não consigamos entender de pronto os benefícios advindos de certas escolhas, elas fatalmente produzirão bons frutos. Por mais escuro que seja o caminho que decidimos tomar, ele guarda tesouros secretos para o nosso aprendizado, porque mesmo que erremos, no fim acabamos aprendendo a acertar.

Mas estou com um sentimento gostoso de alegria interna, e sabem por quê? Porque em algumas dessas escolhas eu tenho certeza que acertei! Outras eu ainda não tenho certeza, como o curso que escolhi. Mas uma que tenho certeza de que acertei foi a de ajudar semanalmente uma creche, contar história para as crianças de lá e dar todo o carinho que tenho para elas. Foi uma escolha tão acertada, que me trouxe tantos benefícios, e o pior: eu nunca imaginaria que pudesse ganhar tanto com isso!

Sempre fui aconselhado a praticar caridade. Iniciei nesta jornada, dois anos atrás, em espírito de serviço sacrificial, como quem diz “Vou sofrer no trabalho, mas vou ajudar as pessoas”. Como um ser altruístico. Um abnegado ser de luz, que se sacrifica em prol dos semelhantes. Quanta ignorância! Percebi que, na verdade, eu gostava de fazer o que fazia. Gostava muito. Como me dava alegria receber das crianças seus sorrisos! Como me dava satisfação vê-las aceitando as brincadeiras que eu propunha, ouvindo as estórias que eu contava…

É algo que não quero deixar de fazer nunca. A criança nos dá uma paz interior tão grande. As qualidades que mais me impressionam nelas são: espontaneidade (tanto no que pensam como no que sentem); e lealdade (para com nossas propostas, por mais obtuso que nós, adultos, sejamos). Acabam nos transmitindo valores, fazendo-nos relembrar algumas coisas que nunca deveríamos ter esquecido.

Você, leitor, tem assim algum caminho que se alegra muito de ter percorrido? Reflita sobre isso.

Feliz de você que tem alguma dessas escolhas! Feliz de nós. Não estamos preparados para esculpir nossos próprios destinos. Deus é o Grande Professor que sabe o que precisamos passar. Mas quanta alegria nos dá saber que já conseguimos caminhar por nossas pernas, nem que seja aqui ou ali, só.

A água

Morrendo de calor, dentro da sauna, depois de vários minutos de resistência, entrei dentro do chuveiro frio.

A água desceu gelada, na minha cabeça. Refrescante! Fechei os olhos, só ouvia o som a água caindo, mais nada.

Senti-me transportado para debaixo de uma cachoeira, com árvores verdes ao redor, passarinhos cantando… Longe do meu prédio, do  bairro, da cidade, num local sem correria e preocupações. A impressão que me dava era a de que a água canalizada no chuveiro metálico da sauna continha as impressões de sua grande jornada.

A água nascia na fonte, pequenina, simplória. Descia suave por entre os córregos, despejava-se nos rios, alimentava a terra, saciava os animais, as plantas. Corria para as cachoeiras, e percorria seu trajeto. Veio parar na minha cabeça, e me disse tudo isso.

Um de meus anseios

Tenho uma vontade, ainda pequenina em meu ser, de possuir aquele equilíbrio de quem muito trabalha, e pouco se importa com as palavras dos outros. Sabe, aquela tranquilidade interior, de um monge que passa o dia varrendo, limpando, agoando plantas, conversando fraternalmente, estudando, meditando, e que acaba por não se importar muito com a rispidez e falta de sensibilidade das pessoas? A paz interna da senhora pequenina de cabelos brancos, que levanta cedo (velha forte!), arruma a casa, toma seus remédios, faz o almoço para os filhos e netos, e pode ficar dias sem ver televisão, meses sem entrar na internet (ela provavelmente nem sabe o que seja isso!), anos sem saber das futricas do mundo, das fofocas do povo…

Sabe, aquela calmaria no peito, de quem não se importa se só dá amanhã, se não deu do jeito certo, se nunca mais vai dar. De quem sabe esperar anos, cuidando de uma pequena semente, para poder retirar os frutos da grande mangueira que ela um dia se tornará. Da mãe que leva o filho 9 meses na barriga, carrega-o por um ano, dá-lhe comida, estudos, cuidado, carinho, e que deixa o garoto – agora já adulto – sair de casa e viver a sua vida, sabendo que ele não lhe pertence…

Como posso, eu, conseguir tamanha sabedoria e paz? Eu me inquieto com as menores coisas da vida. Ainda tenho muitas paixões. Me exalto como uma criança perto de meus amigos queridos. Não sei aproveitar direito os momentos com minha família. Vivo muito o futuro ou o passado, esquecendo do agora. É sempre “Amanhã eu vou fazer uma coisa muito legal!”, ou então “Ontem aconteceu uma coisa que eu fiquei revoltado!”, e o agora vai passando, sem eu ver…

Como inserir-me no Cosmos, fazendo-me parte dele, como apontavam os estóicos na sua bela filosofia?

Como trocar um dia de muitas atividades, música, teatro, shopping, cinema, amigos, luzes, cores, velocidade, como trocar tudo isso por um dia de conversa simples com meus pais?

Acho que estou aprendendo a valorizar mais essas coisas pequeninas. A fazer de cada momento, por menor que ele seja, um momento único. Tenho me esforçado para isso. Aprender a conversar, a ouvir. A entender, mais que ser entendido. A conviver mais com a natureza, a escutar músicas lentas, a fazer trabalhos simples e demorados (como a confecção de boletos para a Comissão de Formatura da minha sala…) com uma pequenina tranquilidade na mente. É uma tranquilidade tão pequenininha que é quase como se não houvesse nenhum sentimento ali, na pessoa (lembrem-se do jardineiro que agua suas flores, do monge que medita sob frondosa árvore).

Não deixou de ser um jovem cheio de energia, que não consegue compreender muitas idéias ao mesmo tempo na cabeça por causa da velocidade rápida com que, muitas vezes, costumo agir. Um jovem cheio de luxúria que não consegue passar um dia sem pensar em besteira ou olhar com lascívia para as partes baixas (é, hehehe, não me condeno por isso, é natural de todos nós). Um jovem egoísta que faz muita coisa só para si, e que depois não sabe porque fica tão melancólico.

Tenho coisas boas, é verdade. Por exemplo, essa vontadezinha que tenho de buscar um pouco de paz. A vontade que tenho de mudar para melhor a vida das pessoas. A vontade de esforçar-me para coisas úteis. Boa-vontade, talvez seja uma das minhas melhores qualidades. Não podemos nos condenar tanto. A mudança é progressiva, devagar, como a mangueira que cresce…