É ou não é?

É ou não é?

Sou o que sou

O que gosto

O que não gosto

O que sei e não sei que sou

Mas, ah!

Quantas coisas queria ser

E que ainda não sou!

Queria ser, eu,

algo mais do que eu!

A vida, eu posso ver

Parece mais forte que meu ser!

Nesse turbilhão em que perdemos

Parece que nunca, a nada,

correspondemos!

Se é preciso saber,

sei pouco!

Se é preciso entender,

me perco!

Se faço que quero,

sou louco!

Parece que nada arranja jeito!

Como ser, então,

feliz?

Sendo nada além

de aprendiz?

Mas, depois, começo a refletir

E tudo vai ficando menos rude

Estaria a vida a exigir

Algo além do “melhor que pude?”

Vem, devagar, a paz

De novo a me alcançar

De fato, rapaz,

Não há o que reclamar!

Se sou, mesmo pouco,

Alguma coisa ali há

E isso, mesmo que pequenininho,

Já está bom, pra começar!

O sonho de ser mais

Alimenta o meu ser

Mas, nem por isso

Vou deixar de viver

E por desejar ser algo

Que não sou nem um tiquinho

Quem poderá dizer

Que já não sou isso um pouquinho?